Pecuaristas fazem espetinho “na porta” do Bradesco em protesto à “segunda sem carne”; veja fotos
Em Goiânia, Rio Verde e Jataí, os manifestantes ofereceram espetinho à população e levaram informação correta sobre a produção de gás metano pela pecuária e mostraram a sustentabilidade do setor.

Pecuaristas e pessoas ligadas ao setor em Goiás protestaram em frente às agências do Banco Bradesco, nesta segunda-feira (03), contra a campanha publicitária divulgada pela instituição financeira em todo Brasil, por meio da TV e redes sociais, onde três influenciadoras digitais “explicam”, sem informação completa e de forma irresponsável, que a criação de gado no país contribui para o aumento do efeito estufa, além de terminarem o comercial propondo a diminuição do consumo de carne e a campanha "segunda sem carne", com a intenção de que os brasileiros deixem de comer a proteína às segundas-feiras.
A argumentação é o fato de que os gases gastrointestinais (flatos e arrotos) liberados pelos bovinos possuem gás metano, que liberados no ar absorvem calor da atmosfera e contribuem significativamente para o aumento do efeito estufa e aquecimento global.
Em Goiânia, Rio Verde e Jataí pecuaristas, que foram impactados pelo comercial e tiveram a imagem denegrida em relação ao trabalho prestado à sociedade, fizeram espetinho na frente das agências do Bradesco e distribuíram à população como forma de conscientizar sobre a importância do setor na economia do país, gerando renda e emprego, principalmente, além da responsabilidade social e a informação correta sobre o fato. Veja fotos abaixo.
O G5 News conversou com o Analista de Mercado do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (IFAG), Marcelo Penha, que explicou o porquê de a campanha do Bradesco ser equivocada pela falta de dados oficiais e ainda prejudicar a imagem da pecuária nacional e do produtor.
Marcelo citou, em primeiro lugar, que existem dois tipos de criação do gado: Os criados em confinamento, quando os animais ficam presos em áreas restritas e os alimentos necessários, ração e água, são fornecidos em cochos. E os criados soltos no pasto, se alimentando de capim e proteinado. No Brasil, segundo o analista, 95% do gado é a pasto.
De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o trabalho de recuperação e o manejo intensivo das pastagens, com a adoção de boas práticas pecuárias no uso de insumos é possível bloquear o envio de mais de três toneladas de gás carbônico por hectare ao ano à atmosfera e ainda aumentar a matéria orgânica no solo, melhorando a fertilidade e a qualidade.
O analista explicou sobre o trabalho forte que o país tem feito em relação à genética do gado, o que tem adiantado o abate bovino e, consequentemente, diminuindo a emissão de gases.
Marcelo ainda fez um comparativo entra o Brasil com países europeus e dos Estados Unidos, onde a produção já í intensificada. Nesses países, para reduzir a emissão de gás à atmosfera é preciso diminuir o rebanho, já no nosso país, que está em fase de “intensificar a produção”, basta diminuir o tempo de abate para reduzir a emissão, sem precisar mexer com a quantidade do gado.
“Antes se trabalhava quatro anos para abater um boi de 18 arrobas, hoje é preciso de dois anos para essa média, então o Brasil tem melhorado muito nessa questão”, explicou Marcelo.
O analista citou ainda o trabalho realizado no Brasil quanto à nutrição dos animais com produtos de alta qualidade que elevam o desempenho dos animais e se torna mais um fator para a diminuição do ciclo de abate, que é a principal estratégia para a redução da emissão de gases à atmosfera.
“Outro fator é o fornecimento estratégico de nutrição a cocho trabalhando tanto o proteinado, quanto as rações a nível de pastagem, isso faz com que o desempenho dos animais, principalmente na época da seca, melhore bastante e isso também contribui para diminuição do ciclo de abate impactando diretamente na mitigação dos gases do efeito estufa”, concluiu.
Um dado importante, segundo o pesquisador da Embrapa Alexandre Berndt, é que anualmente um bovino pode emitir até 57 kg de gases que contribuem para o efeito estufa, porém, com o trabalho para elevar o desempenho dos animais, esse número pode cair para 37,7 kg.
Ainda como forma de protesto, federações, sindicatos, associações, pecuaristas e outras pessoas ligadas ao setor fecharam suas contas na instituição financeira.
A Federação da Agricultura e Pecuária do estado de Goiás (FAEG), por meio do presidente José Mário Schreiner, emitiu nota de repúdio à veiculação do comercial, onde classifica a campanha como “desinformação e desserviço”. Ressalta que divulgar dados sem considerar os números reais, como o fato de a pecuária brasileira ser uma das que mais retém carbono, possuir uma das produções mais sustentáveis do mundo e que gera diversos empregos e renda, “Bradesco realizou um desserviço a todos que assistiram a referida peça”.
Veja nota na íntegra
“Ao promover uma campanha sem considerar dados reais como o fato da pecuária no Brasil ser uma das que mais retém carbono, possuir uma das produções mais sustentáveis do mundo e que gera diversos empregos e renda, o Bradesco realizou um desserviço a todos que assistiram a referida peça.
Federação da Agricultura e Pecuária do estado de Goiás (FAEG) tem como algumas de suas funções a defesa do setor e a instrução da sociedade quanto às atividades agropecuárias. Recentemente em uma campanha publicitária, o Banco Bradesco apresentou uma peça citando a atividade da pecuária repleta de dados que levam a população à desinformação.
Ao promover uma campanha sem considerar dados reais como o fato da pecuária no Brasil ser uma das que mais retém carbono, possuir uma das produções mais sustentáveis do mundo e que gera diversos empregos e renda, o Bradesco realizou um desserviço a todos que assistiram a referida peça.
Apesar das contínuas retratações por parte do Banco, esse tipo de atitude deve ser exemplarmente repudiado, pois o dano à imagem dos produtores não deve acontecer, já que são os produtores que debaixo de sol e chuva, se qualificam para produzir mais com o menor impacto ambiental possível.
Aos produtores, nosso apoio, defesa e reconhecimento pelo trabalho desempenhado”.

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