Padre invade culto de matriz africana e chama líder religioso de 'macaco nojento'; veja vídeo
Leandro Oliveira Rocha, de 44 anos, afirmou que a esposa começou a gravar a situação e foi agredida pelo pároco. Caso aconteceu dentro de um cemitério em Praia Grande (SP).

Um padre da Paróquia Nossa Senhora das Graças, em Praia Grande, no litoral paulista, foi acusado de interromper uma cerimônia de matriz africana realizada no Cemitério Morada da Grande Planície, no bairro Vila Antártica, e chamar o líder religioso responsável pelo rito de “macaco nojento”. O episódio ocorreu no Dia de Finados, em 2 de novembro, e foi registrado em boletim de ocorrência na última segunda-feira (10). A denúncia inclui também agressão contra a esposa do religioso, que filmava a discussão.
O líder espiritual Leandro Oliveira Rocha, 44, afirmou que conduzia uma celebração programada para as 14h quando, por volta das 15h28, o pároco entrou no espaço “gritando” para que o grupo deixasse o local. A missa da Igreja Católica estava marcada para as 16h.
“Se eu estivesse fora do meu horário — o que não estava —, isso não daria o direito de me xingar, me insultar e agredir a minha mulher”, disse Leandro. Segundo ele, o padre o chamou de “macaco”, “nojento” e “imundo”.
“É triste e feio. Nos tempos de hoje, não se admite isso.”
Vídeo registra momento da confusão
A esposa de Leandro, de 33 anos, começou a gravar a discussão assim que as ofensas tiveram início. No vídeo, segundo o líder religioso, é possível ouvir participantes do rito pedindo respeito e afirmando que o padre não poderia interromper a cerimônia daquela forma.
Durante a gravação, o padre passa pela mulher e o celular cai ao chão. Leandro afirma que o pároco bateu na mão dela. O boletim de ocorrência menciona que uma equipe da Polícia Militar foi acionada, mas os agentes informaram que não poderiam conduzir os envolvidos à delegacia porque o padre ainda precisaria realizar a missa.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) declarou que o caso foi registrado no 2º DP como ultraje a culto, além de injúria racial. “Diligências estão em andamento para o esclarecimento dos fatos”, informou a pasta.
O padre não foi localizado pela reportagem até a última atualização. A Prefeitura de Praia Grande também não respondeu.
O que diz a paróquia
Em nota, a Paróquia Nossa Senhora das Graças afirmou que os horários das celebrações no cemitério são definidos previamente pela administração municipal, com cerca de 60 minutos destinados a cada instituição religiosa. Segundo a igreja, a cerimônia de matriz africana ultrapassava o limite das 15h30, horário previsto para a preparação da missa.
A paróquia diz que o padre apenas se aproximou de “um dos integrantes” para solicitar o encerramento da atividade e permitir a organização do culto católico. Afirmou ainda que o religioso entrou no espaço acompanhado da equipe e “permaneceu em silêncio durante todo o tempo, sem se dirigir a qualquer pessoa presente”.
A instituição disse repudiar “qualquer forma de discriminação, intolerância ou violência” e afirmou confiar na apuração das autoridades “para que a verdade prevaleça com justiça e serenidade”. Reiterou também o compromisso cristão com o respeito “independente de crença, cultura ou origem”.
Investigação segue em andamento
O caso soma-se a outros episódios recentes envolvendo conflitos religiosos em espaços públicos e levanta debate sobre intolerância racial e religiosa no país. A SSP-SP informou que ouvirá os envolvidos e analisará as imagens mencionadas para determinar eventuais responsabilizações.

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