Pacientes de Karine Gouveia detalham atendimento na clínica e mostram sequelas; veja fotos
A investigação policial de negligência médica e fraudes na Clínica de Estética da influenciadora, após os tratamentos, com cirurgias, deixarem dezenas de vítimas com sequelas físicas e psicológicas, foi destaque do Fantástico nesse domingo (12)

A investigação policial de negligência médica e fraudes na Clínica de Estética da influenciadora Karine Gouveia, em Goiânia, que resultou na prisão da proprietária e do marido dela, Paulo César Dias, após os tratamentos, com cirurgias, deixarem dezenas de vítimas com sequelas físicas e psicológicas, foi destaque do Fantástico, da TV Globo, nesse domingo (12), onde as vítimas deram detalhes do atendimento na clínica e mostraram como ficaram.
O empresário Marcelo Santos, uma das vítimas, descreveu sua experiência traumática durante um procedimento para redução do nariz:
"Fizeram raspagem e eu sentindo, acordado. Senti tirar pele, senti tirar cartilagem, senti raspar o osso". Após uma cirurgia malsucedida e uma tentativa de correção na mesma clínica, Santos agora enfrenta custos proibitivos para reparar os danos, estimados em R$ 60 mil.
A psicóloga Vânia Ribeiro investiu R$ 20 mil em uma harmonização facial, mas recebeu óleo industrial em vez de ácido hialurônico.
"Eu fiquei muito desesperada. Eu furei minhas pálpebras inferiores e apertei bastante para ver se o produto saía", relatou.
Outra paciente anônima pagou R$ 4,5 mil por uma lipo de papada e agora sofre com dores crônicas e cicatrizes.
"Quando eu olho no espelho, eu levo um choque. Movimentar o pescoço de um lado para o outro, repuxa. Para mim, abaixar, dói. Então, é doloroso até hoje", disse.
O delegado Daniel Oliveira da Polícia Civil de Goiás revelou que o casal proprietário está sendo investigado por organização criminosa, lesão corporal gravíssima e estelionato. A investigação, iniciada em abril de 2024, já recebeu mais de 60 denúncias de pacientes.
As autoridades descobriram que:
- A clínica operava sem profissionais devidamente qualificados
- Procedimentos eram realizados em condições sanitárias precárias
- Produtos utilizados eram adulterados para aumentar o lucro
- A unidade de Anápolis funcionava sem alvará ou projeto arquitetônico aprovado
A clínica atraía clientes oferecendo preços bem abaixo do mercado e utilizava uma forte presença nas redes sociais, incluindo endossos de celebridades. O empresário Marcelo Santos admitiu ter sido influenciado pela aparente credibilidade online da clínica.
As autoridades fecharam as unidades da clínica em Goiânia e Anápolis, bloquearam contas bancárias e apreenderam bens, incluindo R$ 2,5 milhões e um helicóptero avaliado em R$ 8 milhões.
O superintendente da Polícia Científica de Goiás, Ricardo Matos, confirmou a adulteração de produtos:
"Eles vinham produzindo, adulterando, diluindo esses medicamentos para aplicação nos pacientes".
Além dos danos físicos, muitas vítimas enfrentam traumas psicológicos. Marcelo Santos relatou problemas de sono, depressão e ansiedade. Algumas vítimas estão na fila do SUS para reparar os danos causados.
Veja abaixo a nota enviada pela defesa dos acusados, na íntegra.
Os advogados dos investigados Karine Gouveia e Paulo César, Romero Ferraz Filho, Tito Souza do Amaral e Caio Victor Lopes Tito, respectivamente, informam:
- Karine Gouveia e Paulo César nunca tiveram a intenção de praticar qualquer crime. Quanto ao número crescente de pessoas que têm se manifestado, os investigados respeitam profundamente, mas é necessário analisar cada caso individualmente. Por exemplo, há pessoas que não seguiram as recomendações pós-procedimento, portanto, as consequências disso não se devem ao procedimento em si. Por isso, é essencial entender cada caso de forma isolada. A defesa alerta para a importância de se realizar perícias em cada caso, o que ainda não foi feito, com a participação de todas as partes envolvidas, incluindo os conselhos responsáveis, para garantir que todas as questões técnicas sejam devidamente validadas.
- Sobre os procedimentos estéticos realizados na clínica, todos os pacientes sempre foram tratados com profundo respeito e cuidado. A defesa e os investigados acreditam que todos os fatos serão devidamente esclarecidos, inclusive - mas não se limitando - aos procedimentos realizados em 2017, que só agora estão vindo a público. É necessário compreender o que ocorreu nesse intervalo de tempo. Esse entendimento é tanto um direito quanto um dever dos empresários, diante dos 8 anos de atuação no mercado e dos mais de 30 mil procedimentos realizados. Vale ressaltar ainda que os empresários investiram milhões na construção da clínica, que conta com uma estrutura de 300 metros quadrados e uma equipe de 30 funcionários. A clínica sempre tratou com seriedade as questões de insatisfação dos pacientes, buscando resolvê-las com respeito e urgência.
- Sobre a clínica de Goiânia e o alvará de funcionamento da clínica de Anápolis, em razão das prisões e das apreensões de documentos, a defesa não tem condições de fazer qualquer afirmação quanto aos alvarás, dada a dificuldade de confirmação das informações. Mas ressalta que todas essas questões administrativas serão regularizadas, como sempre são, ao seu tempo e ordem, conforme determinado pela vigilância.
- Sobre a formação da Karine, a defesa esclarece que ela é empresária e nunca disse ser biomédica, assim como jamais executou qualquer procedimento na clínica. Esse áudio divulgado pela autoridade policial, violando o processo que corre em sigilo de Justiça, não condiz com a voz de Karine, o que qualquer perícia pode comprovar, se for verídico e íntegro.
- A defesa manifesta ainda que o que está acontecendo com a Karine e o Paulo César, para além de ser uma prisão absolutamente ilegal, a acusação da execração e condenação pública contra pessoas ainda em fase de investigação, sem ainda qualquer comprovação de culpa, para constranger o Poder Judiciário a enfrentar a ilegalidade, tal qual aconteceu com a Escola Base de São Paulo, quando uma denúncia de um suposto abuso sexual mudaria para sempre os rumos dos donos da escola, a partir da condenação pública por depoimentos sem fundamentação e comprovação.
- O uso irresponsável da forca da autoridade policial em um processo que corre em segredo de justiça, tem instigado e inflamado tal conduta por parte da sociedade com a divulgação de possíveis indícios, mas todas eles, sem qualquer perícia comprovada. Os casos dos quais a defesa tem conhecimento aconteceram em 2017, no início da operação de clínica, há 8 anos. E injusto tirar o direito de defesa de qualquer cidadão. É um absurdo que haja uma condenação, antes mesmo de haver uma investigação que precisa de todos os fatos periciados e comprovados.

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