“Não basta faturar”: Einstein Paniago aponta caminhos para empresas crescerem
Especialista em crédito empresarial, Paniago afirma que governança, organização financeira e gestão estratégica passaram a pesar tanto quanto o faturamento na hora de aprovar financiamentos e aponta as novas tendências

O acesso ao crédito empresarial no Brasil atravessa um momento de transformação impulsionado pela digitalização do sistema financeiro, pelo avanço das fintechs e pelo aumento das exigências relacionadas à governança e à organização financeira das empresas. Para o contabilista, pesquisador e especialista em crédito empresarial Einstein Paniago, o cenário atual exige cada vez mais preparo técnico e planejamento estratégico por parte dos empresários que buscam financiamentos para expansão, capital de giro ou modernização das operações.
Segundo ele, embora o mercado tenha ampliado as possibilidades de financiamento nos últimos anos, muitas empresas ainda enfrentam dificuldades por falta de estrutura administrativa, organização contábil e planejamento financeiro adequado.
“No atual ambiente econômico, não basta apenas buscar crédito. É necessário compreender qual a finalidade estratégica desse recurso e se a operação financeira está compatível com a realidade do negócio. Muitas empresas acabam assumindo financiamentos inadequados ao seu ciclo operacional e comprometem o fluxo de caixa logo nos primeiros anos”, explica.
Paniago observa que pequenas empresas hoje contam com um ambiente de crédito mais diversificado, envolvendo bancos comerciais, cooperativas de crédito, fintechs, programas de microcrédito orientado, fundos constitucionais e agências de fomento. Ele destaca ainda a existência de linhas específicas voltadas à inovação, transformação digital, sustentabilidade e aquisição de equipamentos.
Apesar disso, o especialista alerta que o acesso às melhores condições de financiamento depende diretamente da capacidade de organização da empresa.
“Instituições financeiras e investidores passaram a avaliar não apenas faturamento, mas também governança, compliance, organização documental e capacidade de gestão. Empresas minimamente estruturadas conseguem acessar crédito com juros menores e mais credibilidade perante o mercado”, afirma.
“A contabilidade ocupa posição central”
Para Einstein Paniago, esse novo cenário reforça o papel estratégico da contabilidade dentro das organizações. Segundo ele, a contabilidade deixou de exercer apenas função fiscal ou burocrática e passou a ocupar posição central na construção da credibilidade financeira das empresas.
“Hoje, a contabilidade funciona como uma linguagem de confiança do mercado. É por meio dela que bancos, investidores e fundos analisam saúde financeira, capacidade de geração de caixa, eficiência operacional e sustentabilidade do negócio”, pontua.
Ele defende que empresários estejam assessorados por equipes multidisciplinares formadas por escritórios de contabilidade, advocacia empresarial especializada e consultorias de planejamento financeiro.
“Um contrato mal elaborado, uma estrutura tributária inadequada ou uma contabilidade fragilizada podem gerar impactos severos no futuro da empresa. Por isso, a assessoria técnica precisa ser vista como investimento estruturante e não apenas como custo operacional”, ressalta.
No caso das médias e grandes indústrias, Paniago avalia que o movimento de diversificação das fontes de financiamento tende a crescer ainda mais nos próximos anos. Além dos bancos tradicionais, empresas passaram a acessar recursos por meio do mercado de capitais, utilizando instrumentos como debêntures, fundos estruturados, securitização de recebíveis e operações vinculadas a critérios ESG.
Ele também aponta o aumento da participação de organismos internacionais de desenvolvimento em projetos ligados à infraestrutura, energia limpa, logística, inovação e transformação digital.
“Estamos entrando em um novo ciclo do financiamento empresarial, cada vez mais técnico, digital e baseado em dados. A inteligência artificial e os sistemas automatizados de análise de risco já influenciam diretamente as decisões de crédito”, afirma.
Crédito empresarial exige análise integrada
Outro ponto destacado pelo especialista é que empresas interessadas em projetos de expansão precisam avaliar cuidadosamente aspectos como custo efetivo total da operação, prazos, garantias, indexadores, impactos tributários e riscos cambiais.
“Muitas vezes o empresário escolhe apenas pela menor taxa de juros, mas ignora cláusulas contratuais, exigências de garantias e prazos incompatíveis com a maturação do investimento. Crédito empresarial exige análise integrada e visão de longo prazo”, observa.
Para os próximos anos, Einstein Paniago acredita que tendências como open finance, análise automatizada de risco, expansão de linhas ESG e possível redução estrutural dos juros podem ampliar o acesso ao financiamento empresarial no Brasil. No entanto, ele ressalta que as empresas precisarão elevar seus níveis de profissionalização para acompanhar essa transformação.
“Governança, transparência contábil, planejamento tributário, segurança jurídica e gestão estratégica deixarão de ser diferenciais e passarão a ser requisitos básicos de competitividade. As empresas que compreenderem isso primeiro terão melhores condições de crescer de forma sustentável”, conclui.

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