Mulher trans denuncia transfobia em banheiro de academia: "tem membro masculino?"; veja vídeo
Ayla Victoria afirma que a agressão verbal aconteceu, na terça-feira (11), dentro do banheiro feminino do estabelecimento onde ela treina há três anos

Uma mulher trans relatou ter sido alvo de agressões verbais transfóbicas dentro do banheiro feminino de uma academia no bairro Eldorado, em Contagem (MG), na última terça-feira (11). O episódio foi divulgado pela vítima, Ayla Victoria, nas redes sociais, onde ela treina há três anos.
Em vídeo publicado em seu perfil, Ayla registra o momento em que uma mulher — que não teve a identidade revelada — entra no banheiro e passa a questionar sua presença no espaço. Visivelmente alterada, a agressora profere ataques transfóbicos e insinua que a vítima não teria o direito de utilizar o banheiro feminino.
Segundo o relato de Ayla, a mulher chega a dizer que seria “humilhante” passar pela situação e, em tom irônico, questiona se a jovem possuía “membro masculino”. A vítima rebate, perguntando de que forma sua presença colocaria alguém em risco.
“Nunca nos calaremos perante tais situações que ferem diretamente nossos direitos”, escreveu Ayla na legenda da gravação.
A agressão ocorreu em um dos horários de maior movimento da academia. Ayla afirma que, ao perceber que estava sendo hostilizada, decidiu registrar a cena para se proteger e denunciar o caso publicamente.
Posicionamento da academia
Ayla informou que, nesta quinta-feira (13), a gerência da academia entrou em contato para se manifestar sobre o caso. Segundo ela, o estabelecimento afirmou que tomará “as medidas cabíveis” contra a agressora. A reportagem procurou a direção da academia, mas ainda não obteve retorno.
Investigação em andamento
Embora a Polícia Militar não tenha sido acionada no momento da ocorrência, Ayla registrou um boletim de ocorrência diretamente na Polícia Civil. Em nota, a corporação confirmou que apura o caso.
“A PCMG apura a denúncia registrada nessa quarta-feira (12/11), em que a vítima de 22 anos relata os fatos ocorridos em 11 de novembro em uma academia no bairro Eldorado. A investigação está a cargo da 2ª Delegacia de Polícia Civil em Contagem”, afirmou.
A vítima disse esperar que a investigação avance e que o caso ajude a expor episódios de violência e constrangimento vividos por pessoas trans em espaços públicos e privados. “Não é só sobre mim. É sobre o direito de existir sem ser atacada”, declarou em suas redes.
Contexto
Casos de transfobia em ambientes compartilhados, especialmente banheiros e vestiários, têm se tornado pauta recorrente nas redes sociais e em debates sobre direitos humanos. Em Minas Gerais, denúncias dessa natureza vêm crescendo, segundo entidades de apoio à população LGBTQIA+.
Ayla afirma que seguirá treinando na academia e que continuará denunciando situações de violência. “Nada disso vai me fazer recuar”, disse.

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