Mulher relata que convenceu “Novo Lázaro” a se entregar enquanto tomavam café
Moradora de Gameleira de Goiás, Cindra Mara relata os momentos que passou com Wanderson Mota no início da manhã deste sábado (04).

Wanderson Mota, foragido da Justiça há 7 dias, acusado de executar a facadas a esposa Raniere Aranha,19 anos, a enteada Geysa Aranha, 2 anos, que foi estuprada antes de ser morta, e o fazendeiro Roberto Clemente, 73, vizinho da propriedade onde o acusado trabalhava como caseiro, foi convencido a se entregar à polícia por uma moradora de Gameleira de Goiás (100 km da Capital), identificada como Cindra Mara, 56 anos, que ofereceu um café ao acusado, no início da manhã deste sábado (04), e passou cerca de meia hora conversando com o criminoso dentro de casa.
A prisão do assassino, que é comparado com Lázaro Ramos devido à forma brutal como cometeu os crimes e a tentativa de fuga similar, foi confirmada pela Polícia Civil.
Em entrevista à Rádio Rádio São Francisco 97.7 FM, Cindra relatou que Wanderson chegou à janela da casa dela por volta das 6h30, onde apontou a arma já avisando que a mataria. Em sei primeiro contato, a moradora manteve a calma e já ali começou a tentar acalmar o assassino.
“Era aproximadamente 6h30, quando meu esposo saiu para buscar leite e eu fiquei em casa. Nesse momento, ele (Wanderson) chegou, bateu com a arma na janela, apontou para mim e disse ‘eu vou te matar’. Eu levantei, pedi para ela ficar tranquilo e se afastar um pouquinho. Ele se afastou, mas repetiu que iria me matar. Eu mantive a frieza e com muita calma respondi que ele não iria me matar”.
Em seguida, segundo o relato da testemunha, ela pediu para que ele se afastasse um pouco da janela para ela se trocar. Ele atendeu o pedido e disse que queria café. Cindra explica que Wanderson passou a noite num matagal próximo à casa tomando chuva e, por isso, ele tremia muito.
“Ele me deixou trocar de roupa, pois estava de pijama, e pediu café. Eu fui para a cozinha, ele me acompanhou com a arma em punho, fiz o café para ele, que enquanto tomava tremia muito, pois, tinha dormido na chuva em um matagal próximo. Wanderson estava muito nervoso e aguardou meu marido sair para entrar na casa”.
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Já dentro do imóvel, o assassino quis saber se a mulher tinha armas, mas ela respondeu que não, que ali ninguém usava armas. Ele sentou na cozinha, eu fiquei conversando com ele. Wanderson repetia que não queria fazer mal para ninguém, mas estava com medo de ser pego pela polícia.
“Foi Deus que me manteve calma e me deu essa frieza”, disse Cindra.
Ela conta que em determinado momento Wanderson correu, mas ela conseguiu segurar forte no braço dele e disse que ele iria se entregar.
“Ele tentou correr, mas eu consegui segurar no braço dele, puxei, pedi para ele olhar nos meus olhos e falei para ele se entregar à polícia porque ele estava cansado, cansando os policiais e que não ia mais ficar fugindo. Falei para ele acalmar que eu o levaria à delegacia de Gameleira”.
Nesse momento, meu esposo chegou, se assustou com o foragido em casa, mas eu avisei que não era para fazer nada. Meu marido percebeu a situação e também manteve a calma. Aí Wanderson disse que iria se entregar. Ele (Wanderson) estava tremendo demais com medo de morrer e repetiu: ‘vocês vão me entregar’ e eu respondi: ‘vamos’, então o acusado entregou a arma para o meu marido.
“A gente tem que agir de maneira profissional com pessoas assim, não pode demonstrar medo. Eu agi o tempo todo de maneira natural”, declarou a moradora.
Colocamos ele no banco do passageiro do carro, meu marido foi dirigindo e eu atrás. Na delegacia, os policiais se aproximaram, realizaram a prisão e já o encaminharam a Anápolis.
A Polícia já estava aguardando, pois, durante as negociações para que ele se entregasse, Wanderson deixou que eu fizesse uma selfie de nós dois juntos. Eu mandei a fotografia para o prefeito de Gameleira, e o político encaminhou aos policiais.
“Eu vi Deus na minha vida e na vida do meu marido, que nos deu sabedoria para fazer isso”, finalizou Cindra.
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