Mulher pede "atestado falso" de 11 dias para viajar e ameaça médico; veja vídeo
Paciente ameaçou denunciar o médico e argumentou que precisava do atestado médico para uma viagem, onde passaria 11 dias

Um médico do Rio de Janeiro relatou ter sido ameaçado por uma paciente após se recusar a emitir um atestado falso. A tentativa de transformar um documento médico em "passaporte" para uma viagem pessoal colocou em evidência, nas redes sociais, a pressão cotidiana sofrida por profissionais de saúde e os limites éticos do exercício da medicina.
O episódio ocorreu em um consultório de emergência e foi narrado pelo próprio profissional, identificado como Dr. Zeno Augusto, em vídeo divulgado nas redes sociais.
Segundo o médico, a paciente entrou no consultório sem cumprimentos e fez um pedido direto.
“Doutor, preciso que o senhor me ajude em algo. Só o senhor pode fazer por mim”, teria dito. A abordagem despertou desconfiança imediata. “Normalmente quando a situação começa com essa fala, lá vem bomba”, comentou ele na gravação.
Na sequência, a mulher explicou o que pretendia: realizar um exame de raio-X e obter um laudo que indicasse uma lesão inexistente. O objetivo era claro.
“Já estou te avisando que não tem nada. O senhor olha, fala que tem uma lesão e me dá um atestado de 11 dias”, relatou o médico.
Questionada sobre a motivação, a paciente afirmou que precisava do atestado para viajar a Natal (RN), onde participaria do aniversário da sogra. Diante da negativa, o tom da conversa mudou. Dr. Zeno explicou que forjar diagnóstico e emitir atestado falso configuram conduta antiética e ilegal. A resposta provocou reação hostil.
“Se o senhor me fizer perder a minha viagem, eu vou te denunciar. Eu pago o plano de saúde. Seu salário, quem paga sou eu”, disse a paciente, segundo o relato gravado.
Mesmo sob xingamentos e ameaças, o médico manteve a recusa.
“A senhora fica à vontade, se quiser, eu até te mostro onde tem a ouvidoria”, respondeu. O profissional afirmou que grava os atendimentos justamente para se resguardar em situações desse tipo.
No vídeo, ele descreve o episódio com ironia e indignação.
“Ela queria que eu utilizasse o raio-X como figurante e que o atestado fosse literalmente um passaporte”, afirmou. Para o médico, há uma percepção distorcida sobre o funcionamento dos planos de saúde. “Tem gente que acha que plano de saúde é igual buffet. Você paga e pede qualquer documento que o médico assina. Não é assim. Atos éticos não têm preço.”
A repercussão do caso nas redes sociais foi imediata e abriu debate sobre o uso indevido de atestados médicos, a relação entre pacientes e profissionais e a falsa ideia de que o pagamento por um serviço autoriza qualquer tipo de exigência. Também trouxe à tona a fragilidade do ambiente de trabalho médico, cada vez mais exposto a pressões, ameaças e judicializações.
Ao expor o episódio, Dr. Zeno transformou uma situação corriqueira — embora raramente confessada — em um retrato incômodo de como a lógica do consumo tem avançado sobre áreas regidas por princípios técnicos e éticos. No limite, o caso sugere que, quando a medicina é tratada como mercadoria, o risco não é apenas de fraude documental, mas de corrosão da confiança que sustenta a relação entre médico e paciente.

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