MPF investiga poupanças de escravizados na Caixa Econômica Federal
Inquérito civil busca entender o que aconteceu com contas de africanos libertos após a abolição.
A investigação do Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro foca nas contas da Caixa Econômica Federal abertas por escravizados. Muitos desses indivíduos tentaram acumular recursos para comprar sua própria liberdade ou de familiares. Após a assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, eles ficaram sem informação sobre como acessar esse dinheiro.
Pesquisas indicam que grande parte desses ex-escravizados não movimentou suas contas após a abolição. A historiadora Keila Grinberg, da Universidade de Pittsburgh, menciona evidências de contas inativas nos registros da Caixa da época. A razão para essa inércia financeira ainda é desconhecida e se trata de uma lacuna significativa na história econômica do Brasil.
O inquérito civil busca esclarecer o papel da instituição financeira e o destino dessas poupanças. O procurador da República Júlio Araújo, que lidera a investigação, acredita que a identificação dessas contas pode abrir discussões sobre reparações e indenizações. O caso revela uma dimensão histórica que precisa ser abordada.
A postura inicial da Caixa foi de resistência, alegando dificuldades de acesso a documentos antigos. Contudo, a pressão do MPF levou a uma mobilização interna da instituição para verificar a documentação relevante. Essa ação é considerada crucial para que se possa entender melhor o contexto das contas.
Os pesquisadores convidados pelo MPF foram encarregados de organizar o material disponível, com recomendação de um tratamento arquivista para facilitar as investigações. Esse esforço deve resultar em respostas mais concretas sobre o tema e proporcionar um caminho para a reparação histórica.
O desfecho da investigação poderá impactar a forma como a sociedade brasileira lida com a memória e a história da escravidão. As repercussões também podem incluir propostas de reparação financeira para os descendentes dos escravizados que mantinham essas contas inativas.

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