MP quer outro julgamento para sargento “inocentado” e aumento de pena para ex-presidente do Atlético-GO e comparsas
Maurício Sampaio foi condenado a 16 anos de prisão; Ademá Figuerêdo 16 anos; Marcus Pereira Xavier, 14 anos, e Urbano de Carvalho, 14 anos. Djalma Gomes foi inocentado

O Ministério Público de Goiás vai recorrer da decisão que absolveu o sargento reformado da Polícia Militar Djalma Gomes da Silva da participação no planejamento e execução do jornalista Valério Luiz de Oliveira. A instituição solicitará que ele seja submetido a um novo julgamento. O anúncio foi feito na tarde desta quinta-feira (10).
Djalma era acusado de ser um dos articuladores do assassinato. A promotora Renata de Oliveira Marinho e Sousa e os promotores de Justiça José Carlos Miranda Nery Júnior, Maurício Gonçalves de Camargos, Sebastião Marcos Martins, que atuaram na acusação, além do advogado Valério Luiz de Oliveira Filho, que atuou como assistente de acusação, afirmaram que vão entrar com o recurso junto ao Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO).
Segundo eles, há provas claras da participação de Djalma no crime e sua absolvição mostra uma incoerência dentro do julgamento.
O promotor Sebastião Marcos Martins afirmou que o MPGO vai avaliar se recorrerá das penas dos outros quatro condenados: o empresário Maurício Borges Sampaio (condenado a 16 anos de prisão); Ademá Figuerêdo Aguiar Filho (16 anos de prisão); Marcus Vinícius Pereira Xavier (14 anos de prisão), e Urbano de Carvalho Malta (14 anos de prisão).
O primeiro por ser o mandante do assassinato e os outros três por participarem do planejamento e execução do crime.
Relembre o caso: radialista foi assassinado quando saía do trabalho
O crime foi cometido por volta das 14 horas de 5 de julho de 2012, na Rua T-38, no Setor Bueno, a poucos metros da emissora em que a vítima trabalhava. Segundo apurado no inquérito policial, Ademá Figuerêdo Aguiar Filho, em “conluio, repartição de tarefas e contando com a participação dos demais denunciados, efetuou vários tiros em Valério Luiz de Oliveira, causando-lhe a morte imediata”.
Foi verificado ainda que as críticas que Valério Luiz fazia à diretoria do Atlético Clube Goianiense, no exercício da profissão de jornalista e radialista esportivo, nos programas Jornal de Debates, da Rádio Jornal 820 AM, e Mais Esporte, da PUC TV, teriam desagradado Maurício Sampaio, que era dirigente do clube de futebol. Os comentários da vítima geraram "acirrada animosidade e ressentimento no empresário, com desentendimentos", segundo a denúncia apresentada.
A investigação destacou que, no dia 17 de junho de 2012, em meio aos comentários que a vítima fazia no programa Mais Esporte, ao falar a respeito de possível desligamento de Maurício Sampaio da diretoria do time de futebol, ela teria dito que “nos filmes, quando o barco está afundando, os ratos são os primeiros a pular fora”. Em represália, narrou a denúncia, a diretoria do Atlético Clube Goianiense proibiu a entrada das equipes jornalísticas nas dependências do clube.
Sentindo-se ofendido na sua honra, ressaltou o relato dos promotores, Maurício Sampaio passou a almejar a morte da vítima com o auxílio de comparsas, responsáveis pelo planejamento e execução do crime. Marcus Vinícius Pereira Xavier emprestou moto, capacete e camiseta para Ademá Figuerêdo, além de guardar no açougue de sua propriedade a arma e o celular que seriam utilizados no homicídio. Os chips dos telefones utilizados na comunicação foram habilitados em nomes de terceiros.
Conforme demonstrado na denúncia, no dia do crime, Ademá Figuerêdo foi até o açougue de Marcus Xavier, pegou a moto, o capacete, a camiseta, o telefone e a arma e se dirigiu até as imediações da emissora de rádio. No local, comunicou-se com Urbano Malta, que estava na espreita, aguardando o momento em que Valério Luiz de Oliveira sairia. A vítima foi morta quando já estava dentro do veículo, ao final de uma jornada de trabalho.

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