Motoristas de aplicativo fazem protesto contra projeto de regulamentação
Manifestações ocorrem em Goiânia em todo o país.

Motoristas de aplicativos realizam, na manhã desta terça-feira (26), uma manifestação no Cepal do Setor Sul, em Goiânia, contra a proposta de regulamentação do Governo Federal que tramita no Congresso Nacional. Os trabalhadores planejam fazer uma carreata até a Praça Cívica, no Centro.
Em seguida, pretendem ir até a Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) com o objetivo de chamar a atenção dos deputados estaduais que possam ajudar na intermediação da proposta junto aos seus partidos em Brasília.
Além da capital goiana, o protesto está previsto para ocorrer em todo o país.
Organizada pela Federação dos Motoristas por Aplicativos do Brasil (Fembrapp), a paralisação busca chamar atenção para as preocupações dos motoristas de aplicativos em relação à regulamentação proposta.
Eles são contra a medida que o PL estabelece, o valor mínimo de R$ 32,09 por hora trabalhada, enquanto limita o tempo de trabalho máximo por dia.
De acordo com dados da StopClub, startup que oferece ferramentas de segurança e performance financeira para os motoristas de aplicativo, este já é o valor médio recebido pelos motoristas hoje.
Os dados mostram que o custo diário de um motorista gira em torno de R$ 150,58 por dia trabalhado ou R$ 16,13 por hora online nos aplicativos. Considerando que o motorista fica 60% do tempo online em viagem, seu custo é de R$ 26,88 por hora trabalhada.
O lucro de um motorista é sua receita menos as despesas de trabalho, que incluem combustível, manutenção e qualquer outro custo que o permita desempenhar sua atividade.
Assim, isso significa que, se o motorista recebesse apenas o mínimo proposto pela regulamentação, ele teria um lucro de R$ 5,21 por hora trabalhada. Ou seja, em uma jornada de trabalho de 220 horas por mês (carga horária máxima de um CLT), isso resultaria em um “piso salarial” de R$ 1.145,47, 19% abaixo do salário mínimo de R$ 1.412, e isso sem descontar o INSS.
Para os motoristas, o valor mínimo estabelecido está longe de ser suficiente para cobrir os custos de manutenção e utilização de um carro.
Eles temem também que as plataformas ajustem os ganhos dos trabalhadores para pagar apenas o mínimo exigido pelo governo, ou seja, que transformem o piso proposto em um teto de remuneração.
Outro ponto a destacar é que o PL não considera o custo do quilômetro rodado, diferente da regulamentação dos taxistas. Isso pode criar situações em que uma corrida gere prejuízos ou nenhum lucro ao motorista.

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