Motorista de ônibus que tombou na divisa de Goiás deve responder pela morte de 12 passageiros
Investigação apontou que o condutor agiu com dolo eventual por provocar as mortes e lesões ao desrespeitar as regras de trânsito e conduzir o ônibus em alta velocidade

A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu o inquérito que investigou o grave acidente de ônibus ocorrido na madrugada do último dia 8 de abril, na cidade de Araguari, na Divisa de Goiás, que resultou na morte de 12 pessoas e deixou dezenas de feridos. O motorista do veículo, um homem de 58 anos, foi formalmente indiciado por 12 homicídios qualificados e 46 tentativas de homicídio, todas as acusações agravadas pela impossibilidade de defesa das vítimas.
O Corpo de Bombeiros, que inicialmente atendeu à ocorrência, informou que o ônibus saiu de Anápolis, passou por Goiânia, onde a maioria dos passageiros embarcou, e tinha como destino a Ribeirão Preto (SP) transportando 53 passageiros, além do motorista.
A investigação, conduzida pela Delegacia Regional de Araguari, apontou que o condutor agiu com dolo eventual, ou seja, mesmo sem desejar diretamente o resultado trágico, assumiu conscientemente o risco de provocar as mortes e lesões ao desrespeitar as regras de trânsito e conduzir o ônibus em alta velocidade.
O acidente aconteceu no entroncamento das rodovias MG-223 e MG-413. Segundo o apurado, o ônibus tombou em uma curva, cruzou o canteiro central e percorreu aproximadamente 9 metros fora da pista antes de parar.
O perito Daniel Luiz de Souza, que trabalhou no caso, detalhou a dinâmica das mortes e ferimentos graves. "Todos os passageiros sem cinto foram arremessados para a grama e, na sequência, o ônibus veio e os esmagou", explicou Souza, ressaltando a importância do uso do cinto de segurança.
O delegado Rodrigo Faria, responsável pelo inquérito, confirmou que laudos periciais e depoimentos de testemunhas foram cruciais para a conclusão da investigação. "Durante o inquérito policial, conseguimos constatar, principalmente pelas provas objetivas - laudos de necropsia e de levantamento de local -, que realmente o veículo estava transitando acima da velocidade permitida, principalmente em momentos antecedentes ao acidente", pontuou o delegado.
Além das provas técnicas, testemunhos de passageiros trouxeram à tona um detalhe perturbador: o motorista teria alertado os passageiros para apertarem os cintos, justificando que precisava "tirar o atraso" na viagem. "Vários passageiros constataram e confirmaram que o motorista, em determinados momentos, em paradas do ônibus nesse deslocamento, sempre pedia para todos apertarem os cintos e se segurar porque ele precisaria tirar o atraso no tempo de viagem", relatou Faria, indicando que o motorista estava ciente da necessidade de acelerar e, consequentemente, dos riscos envolvidos.
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Apesar da gravidade das acusações, o motorista responderá ao processo judicial em liberdade. A decisão se baseia no fato de ele ter prestado socorro às vítimas logo após o acidente.
Com a conclusão do inquérito, o caso foi encaminhado ao Ministério Público, que agora analisará as provas e decidirá se oferece denúncia formal contra o motorista à Justiça. O trágico acidente reacende o debate sobre a segurança no transporte rodoviário e a responsabilidade dos motoristas e empresas em garantir o cumprimento das leis de trânsito e a segurança dos passageiros.

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