A confirmação de que o síndico do prédio onde Daiane Alves de Souza morava é apontado pela Polícia Civil como autor do crime trouxe um misto de alívio e dor profunda à família da corretora, desaparecida por 43 dias e encontrada morta na manhã desta quarta-feira (28), após investigação que levou à prisão do autor e de seu filho. A mãe da vítima, Nilze Alves, descreveu o sentimento como “nojo, revolta e tristeza”, mas também como a constatação de que, finalmente, a verdade começa a vir à tona.
“Esperávamos um milagre, que fosse minha filha de volta. Mas, com tantos dias sem resposta, sabíamos que a realidade era outra. Agora é encarar e agradecer por, ao menos, a justiça começar a ser feita”, afirmou. Cléber Rosa de Oliveira, de 50 anos, não revelou para a Polícia Civil os detalhes de como matou Daiane, mas confessou a autoria do crime e apontou onde o corpo estava, à beira de uma rodovia.
Brigas no condomínio
Segundo ela, conviver no mesmo prédio com o homem agora acusado de matar a filha torna o sofrimento ainda mais intenso. “Eu sinto nojo. Cada hora é um sentimento diferente: raiva, revolta… às vezes até pena, por ver um homem que se dizia correto, que era admirado, passando algemado. Acabou o heroísmo. Era uma farsa”, desabafou.
Nilze relatou que a família sempre percebeu em Daiane um sentimento de injustiça dentro do condomínio. “Ela dizia que não se sentia tratada como ser humano ali, mesmo tendo todos os direitos. Lutava pelo que era dela, pelo que era justo. Tentaram transformá-la em vilã, mas agora o Brasil inteiro está vendo que ela sempre foi vítima”, disse.
Como fica a família?
A dor também se estende à neta, filha de Daiane, de 17 anos. A família fez questão de comunicar pessoalmente a adolescente antes que a notícia se espalhasse. “Ela ainda está tentando entender, mastigando essa realidade. Foram 43 dias de espera, mas quando a confirmação vem, dói de um jeito diferente. É uma menina excelente, que nunca teve problemas com a mãe. Agora é um tempo de muita tristeza, só Deus para fortalecer”, afirmou.
A mãe da corretora também ressaltou o que considera uma “tortura psicológica” vivida por Daiane e por toda a família antes e depois do crime. “Ela era vigiada o tempo todo, por câmeras, por regras, por conflitos. Foram meses de sofrimento, de luta por respeito. E agora saber que foi justamente aquela pessoa que se fazia de vítima que fez isso… é covardia demais”, disse.
Dona Nilze conversou com o portal de notícias do jornalista Alan Cassio, assim que a prisão de Cleber foi confirmada pela Polícia CIvil.
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