Marussa acusa ex de violência física e psicológica após boatos de traição com deputado
No documento, Marussa relata como as agressões começaram logo após o nascimento de sua primeira filha, com Sinomar se afastando e iniciando um padrão de violência verbal e psicológica

A deputada federal Marussa Boldrin (MDB) divulgou uma carta aberta detalhando "anos de abusos físicos e psicológicos" sofridos dentro de seu casamento com Sinomar Júnior, advogado e ex-superintendente da Secretaria de Esporte de Goiás. Em meio a boatos e especulações sobre a agressão mais recente, que, supostamente, teria sido causada após ele flagra a esposa em una traição, Marussa resolveu se pronunciar, trazendo à tona não apenas suas experiências pessoais, mas também um alerta para outras mulheres que vivem em situações semelhantes.
No documento, Marussa descreve um relacionamento inicialmente baseado no amor e na esperança de uma vida compartilhada, mas que rapidamente se transformou em um ciclo de violência e desvalorização. Ela relata como as agressões começaram logo após o nascimento de sua primeira filha, com Sinomar se afastando e iniciando um padrão de violência verbal e psicológica.
Apesar das agressões constantes, Marussa explica em sua carta por que manteve silêncio por tanto tempo — uma combinação de medo, vergonha e a ilusão de que o amor poderia curar um relacionamento abusivo.
"Eu achava que suportar em silêncio era o caminho. Hoje, sei que não era", escreve ela, desmentindo os boatos de que teria traído para justificar a agressão mais recente.
A deputada expôs de maneira crua e sincera como foi desacreditada, insultada e desrespeitada, tanto em sua vida pessoal quanto profissional. Mesmo quando ascendia politicamente, conquistando respeitabilidade e impacto com projetos de lei significativos, como o aumento de penas por feminicídio em áreas rurais, ela lutava contra um cônjuge que minava sua confiança e distorcia suas conquistas.
A decisão de se desvencilhar do relacionamento abusivo foi marcada por um segundo episódio de violência física em 2025, que a incitou a buscar ajuda legal.
"Tive coragem de procurar a delegacia, de fazer o boletim de ocorrência, o corpo de delito, e pedir uma medida protetiva", afirma Marussa, destacando a importância de sua busca por justiça.
A carta terminou com uma poderosa mensagem de esperança e emponderamento, não apenas para ela mesma, mas para todas as mulheres que enfrentam abusos similares. Marussa reafirma seu compromisso em lutar por um futuro de paz e dignidade, não se curvando a possíveis manobras políticas que visem descredibilizá-la.
"Por mim, pelos meus filhos, por todas nós", diz ela, estendendo sua mão solidária e encorajadora a outras vítimas de violência.
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Leia carta aberta de Marussa Boldrin na íntegra:
"Em meio à polêmica de ter sido espancada pelo marido, o advogado Sinomar Júnior, com boatos de que a agressão teria acontecido após ele, supostamente, ter flagrado a mulher durante uma traição, Marussa Boldrin (MDB) publica carta aberta onde destaca detalhes do casamento relatando outras agressões, física e psicológicas, abandono e porquê esperou tanto tempo para denunciar e colocar um fim no relacionamento.
“Eu estive em um relacionamento abusivo. Dizer isso em voz alta já é, por si só, um ato de coragem. Durante anos, fui silenciada dentro da minha própria casa. Fui desvalorizada, desacreditada, diminuída como mulher, como mãe e como profissional. E, por muito tempo, acreditei que suportar em silêncio era o caminho. Hoje, sei que não era.
Me casei acreditando no amor, acreditando na parceria. Tínhamos uma filha a caminho, uma vida inteira pela frente e muitos sonhos a serem vividos. Mas, logo após o nascimento da minha primeira filha, o homem que havia jurado cuidar de mim se afastou, emocional e fisicamente, e as agressões psicológicas começaram. Eu tentava compreender, tentava reconectar, insistia no que já não existia. Não casei para separar - repeti isso tantas vezes para mim mesma.
Insisti, mesmo quando ele passou a me ferir com palavras. Quando dizia que meu trabalho não prestava, que eu era incompetente. Quando desdenhava do meu mandato, usando até mesmo palavras de baixo calão. Quando dizia sentir nojo do meu leite enquanto eu amamentava. Ainda assim, eu me calava. Por medo, por vergonha, por acreditar que tudo ia mudar, eu me calei. E me arrependo profundamente de ter silenciado a minha voz.
Enquanto eu lutava na vida pública, ele me sabotava na vida privada. Nunca me apoiou com sinceridade, apenas por conveniência. Nem mesmo compareceu à minha posse de reeleição como vereadora. Eu seguia tentando. Mesmo depois de descobrir uma traição, em que a outra pessoa chegou a me mandar mensagem expondo o relacionamento entre eles, tentei reconstruir.
Engravidei do segundo filho mais uma vez tentando corrigir a rota do abuso com amor. Ao invés da relação dar sinais de melhora, os abusos se transformaram em pesadelos diários e a pressão psicológica e moral passaram a ser regra dentro de um lar que deveria ser um porto seguro.
Fui xingada, maltratada, ameaçada e humilhada criando, infelizmente, uma rotina de sofrimento. Me agarrei à falsa esperança de que o amor pudesse curar o que, na verdade, era abuso. Mas não há cura quando não há respeito.
Não há reconstrução possível onde há destruição emocional diária.
A distância entre nós passou a ser questão de segurança para mim e quando decidi avançar na política almejando um cargo maior, ele se reaproximou - não por mim, mas pelo interesse no que eu representava.
E, mais uma vez, me iludi acreditando que a prestatividade dele era real, mas o tempo provou que eu estava errada. Ele continuou a me machucar psicologicamente e a me humilhar moralmente. E, em 2023, ultrapassou todos os limites: me agrediu fisicamente pela primeira vez. Eu tive medo. Tive vergonha e optei por não contar nem para minha família, que já havia entendido o relacionamento abusivo em que eu estava.
Pensando em proteger nossos filhos do trauma de um divórcio e com medo de expor minha vida em público, decidi seguir com medo. Nos últimos tempos, minha vida ganhou intensidade. Me dividi entre Brasília e meus filhos, entre compromissos e a maternidade. Direcionei todo meu amor para meus pequenos.
Sempre fui mãe, mesmo sob ameaças. Mesmo ouvindo gritos e ofensas e sofrendo agressões.
Passamos a coexistir no mesmo ambiente, dividindo apenas o mesmo teto. Eu estava sozinha, buscando forças para sair de um relacionamento que nunca deveria ter sido construído. Em 2025 resolvi seguir com minha vida para tentar voltar a ter paz, ele reagiu com ódio e me espancou pela segunda vez, agora com mais intensidade. E finalmente resolvi falar.
Tive coragem de procurar a delegacia, de fazer o boletim de ocorrência, o corpo de delito, e pedir uma medida protetiva. Porque não cabe amor onde existe violência.
Eu sobrevivi.
Busquei em Deus a força e a coragem que eu precisava, e agora, finalmente, eu falei. Falei por mim e por todas as mulheres que sofrem em silêncio. Falei porque quero viver feliz, e a felicidade só é possível com paz. Tomei meu primeiro passo para romper de vez esse ciclo.
Meu divórcio já foi consumado pela justiça que entendeu os abusos que vivi e me garantiu a guarda dos meus filhos.
A justiça já conhece a minha verdade, e sei que para uma pessoa que só conhece a agressão, falta a ele tentar agredir minha imagem de maneira pública. Vão usar desse infeliz episódio como uma manobra política para tentar abafar os abusos que vivi em troca de desgaste de imagem e eu não vou aceitar isso.
Eu vou resistir assim como eu já resisti aos abusos morais e físicos. Eu sei que tenho a verdade ao meu lado - e mais: tenho minha história, meu trabalho limpo e o apoio de quem sempre me viu com respeito.
Não quero mais carregar essa dor calada. Não quero mais fingir que está tudo bem. Não aceito mais ser abusada, nem física, nem moral, nem psicologicamente. E se você, mulher, estiver lendo isso e vivendo algo parecido, saiba: você não está sozinha. Não tenha medo de denunciar, de pedir ajuda, de buscar sua liberdade.
Hoje, eu começo a escrever um novo capítulo da minha vida. Um capítulo de cura, de força, de dignidade.
Por mim. Pelos meus filhos. Por todas nós".

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