Maqueiro de maternidade diz ter recebido "mata-leão" e passado 2h dentro de camburão da PM
Caso foi registrado na última sexta-feira, após uma grávida exigir ter o filho por cesariana no Hospital Célia Câmara, em Goiânia.

O maqueiro da Maternidade Célia Câmara,Valteir Júnior, usou as redes sociais para se manifestar sobre a confusão envolvendo profissionais da saúde e policiais militares, na última sexta (06), e revelou ter ficado duas horas dentro do camburão de uma viatura no pátio da unidade de saúde. O desentendimento terminou com a prisão do servidor, de uma enfermeira e da médica do local. Vídeo no final da reportagem
No vídeo, Valteir explica que o tumulto teve início quando o marido de uma paciente grávida se revoltou com a negativa de realizar uma cesariana naquele momento, causando uma discussão que rapidamente escalou.
O marido da paciente exigia o procedimento com base em uma lei municipal de Goiânia, que permite à mulher optar pela via de parto — normal ou cesariana —, e que o procedimento cirúrgico fosse realizado imediatamente.
O servidor relata ter chegado à maternidade às 18h45 para o início de seu plantão e encontrou um cenário de tensão na recepção, com o marido da gestante bastante exaltado. Segundo ele, a paciente já havia sido atendida e medicada, mas sua solicitação de realizar a cesariana poderia atrasar o atendimento de outras pacientes em situação de maior urgência.
A equipe médica, incluindo a enfermeira e uma médica plantonistas, explicou que, na ocasião, não havia indicação obstétrica imediata para o procedimento naquele momento.
O esposo da paciente não aceitou a explicação e chamou a polícia, alegando negligência no atendimento.
Valteir afirmou que, ao presenciar o desenrolar dos fatos, percebeu que a situação se agravou quando a enfermeira, que tentava acalmar o marido, foi abordada de forma agressiva pelos policiais. Segundo o maqueiro, um dos policiais teria imobilizado a profissional de saúde com um "mata-leão", alegando desacato à autoridade.
Valteir conta que tentou intervir para proteger a colega, afirmando que um homem tem “o dobro de força de uma mulher.”
O trabalhador também mencionou que foi colocado no camburão e permaneceu detido por cerca de duas horas no pátio, o que lhe causou grande constrangimento e traumas emocionais.
O servidor disse estar profundamente abalado pelas consequências do episódio, apontando que revive o trauma constantemente.
“Na pandemia, éramos considerados heróis. Agora, somos tratados como agressores”, desabafou Valteir, relembrando os sacrifícios que ele e outros profissionais da saúde enfrentaram durante a covid, um dos períodos mais críticos da história recente.
A Polícia Militar de Goiás informou, por meio de nota, que foi acionada para atender a ocorrência após denúncia de possíveis maus-tratos e negligência no atendimento médico à grávida. No entanto, imagens — ainda não divulgadas oficialmente — e relatos de testemunhas podem indicar excessos na abordagem, especialmente no uso de força contra os profissionais detidos. Um dos policiais chegou a ser questionado pelas pessoas que estavam na recepção da maternidade, pois testemunhas afirmam que a enfermeira foi imobilizada sem qualquer resistência ou ato hostil prévio de sua parte.
Após a chegada de um comandante ao local, a situação se acalmou. Valteir e os demais profissionais foram encaminhados à delegacia para prestarem depoimento. Poucas horas depois, foram liberados para aguardar a investigação em liberdade.
Outro lado
Em nota, a Polícia Militar do Estado de Goiás (PMGO) informa que, na noite de sexta-feira, 6 de dezembro de 2024, foi acionada para atender uma ocorrência no Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara, em Goiânia, relacionada a um possível caso de omissão de socorro a uma mulher grávida, em trabalho de parto.
Durante a intervenção, três enfermeiros foram detidos por desobediência e resistência, sendo conduzidos à Delegacia de Polícia. A ocorrência segue em andamento e está sob análise da autoridade competente, que decidirá as providências legais cabíveis.

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