Manobra do carvão na pauta verde da Câmara
Projeto que amplia vida útil de usinas a carvão é inserido em agenda de transição ecológica
O PL 1371/2025 propõe a extensão da operação de usinas de carvão até 2050. Inicialmente, apresentado pelos deputados Afonso Hamm e Lucas Redecker, foi inserido na pauta com apelo ambiental. No entanto, a jogada não era tão simples.
O projeto começou a ser empurrado como emenda de última hora em textos que tramitavam com urgência. Enquanto a Câmara promovia a imagem de uma transição ecológica, a bancada do carvão operava em segundo plano. O objetivo era garantir sobrevida ao carvão mineral.
A articulação foi realizada em colaboração com a Associação Brasileira do Carvão Mineral. Essa entidade representa as empresas ligadas à mineração e geração térmica. O relator do projeto na comissão de mérito, deputado Ricardo Guidi, teve um papel fundamental na manobra.
Os deputados do Sul utilizaram a estratégia de pressionar o governo. Eles ameaçavam dificultar a aprovação de projetos sustentáveis, como hidrogênio verde, caso suas demandas não fossem atendidas. Um claro toma lá dá cá climático.
A operação foi cuidadosa. Referências diretas a incentivos empresariais foram removidas do texto final. A intenção era ocultar as digitais do lobby, criando uma cortina social que justificasse a medida sob a perspectiva da sobrevivência econômica dos municípios mineradores.
O contexto revela uma contradição na agenda ambiental da Câmara. O que deveria ser um avanço em iniciativas ecológicas pode acabar reforçando a dependência do carvão. O valor dessa manobra em jogo é significativo: cerca de R$ 5 bilhões em potencial. Essa quantia expressa a força do lobby e suas consequências para a transição energética.

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