Mãe denuncia que professora "isola" seu filho autista e chama de “burro, incapaz e sonso"; veja vídeo
Professora foi afastada da escola pela Secretaria de Educação de Anápolis e o caso investigado pela Delegacia de Proteção à Criança

Uma mãe denunciou que seu filho de apenas 7 anos, diagnosticado com autismo, foi chamado de “burro” e isolado na sala de aula de uma escola municipal em Anápolis (55 km de Goiânia). Segundo a denúncia registrada na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) na última sexta-feira (23), a mãe relatou ter presenciado o menino sentado com a mesa virada para a parede.
“Disse que eu ficaria assim para o resto da vida”, contou o menino à mãe sobre a professora tê-lo deixado virado para a parede.
A mãe relatou que o filho começou a ficar revoltado e repetia que era “burro, incapaz, sonso, que não dava conta”.
“Eu sempre perguntava: Meu filho, quem falou isso para você? Ele sempre falava: ‘Foi a professora’”, relatou a mãe.
O caso é investigado pela Polícia Civil.
A Prefeitura de Anápolis informou que, após acolher a denúncia, a Secretaria Municipal de Educação abriu uma sindicância para apurar o caso. O menino foi transferido de sala e a professora foi afastada.
“A pasta considera sérias todas as denúncias e reforça o compromisso com a garantia de oferecimento de suporte adequado para todos os alunos”, declarou a prefeitura.
A mãe do menino contou que, desde março, o filho reclamava que a professora o chamava de preguiçoso.
“Eu não estava acreditando até o dia que fui buscar ele na escola e ela o chamou de preguiçoso bem alto. Perguntei como ele estava na aula e ela respondeu: ‘hoje ele tá muito preguiçoso, não fez nada’ num tom meio bravo”, relembrou a mãe.
Descrevendo o filho como esperto e inteligente, a mãe explicou que ele nunca havia reclamado de nenhum professor antes.
“Meu filho é um amor de criança, todo mundo que conversa com ele fala isso. Ele nunca reclamou de professor nenhum para mim. Sempre adorava os professores. Mas este ano está sendo difícil”, afirmou.
A mãe detalhou que, desde que a situação começou, o menino passou a ter dificuldades, mudou de comportamento, começou a se isolar em casa e ficou mais estressado.
“Quando vai fazer atividade ele fala que não dá conta porque ele é burro”, disse a mãe.
No boletim de ocorrência, a mãe relatou que, ao tomar conhecimento da situação, acompanhou o filho até a escola e presenciou o menino com a mesa virada para a parede. Na ocasião, o menino contou que já estava assim há dez dias.
A mãe ainda contou que o filho ficou emotivo com a situação, chorou e a agradeceu por ter acreditado nele. Após o afastamento da professora e a mudança de sala, o menino começou a melhorar, mas a situação ainda não está fácil.
“Ele chorou muito e ficou me dizendo "obrigada" por acreditar, obrigada por ver. Não estou conseguindo dormir direito, toda hora eu lembro do jeito que ele estava na sala de aula. Do rostinho triste dele, a gente que é mãe fica com o coração aflito, fica com medo”, detalhou.
Ela pontuou que o menino está se adaptando à nova professora e a escola designou uma cuidadora para ajudá-lo três vezes na semana com a alfabetização.
“Ele está amando a nova professora e a cuidadora. Me disse que ela está ajudando ele a fazer as atividades sozinho e fala para ele que ele dá conta, então eles lá já estão ajudando a tratar essa autoconfiança dele, mas ele vai precisar de um tratamento com psicólogo”, contou.

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