A defesa de Doralice Francisca Peres Cunha se manifestou publicamente sobre a prisão do filho e empresário Maurício Peres da Cunha, ocorrida na noite desta segunda-feira (4), em Iporá, e apresentou a versão da idosa sobre o caso. A nota reforça que a iniciativa de acionar a polícia partiu de uma situação de medo e insegurança, e não de um conflito direto com o filho.
Maurício, que é irmão da prefeita Maysa Cunha, foi preso em flagrante por descumprir uma medida protetiva que o impede de se aproximar da mãe e de áreas ligadas a ela. A abordagem ocorreu nas proximidades da GO-060, após a Polícia Civil ser acionada para averiguar a presença de um drone sobrevoando uma propriedade rural. Doralice informou que não sabia que Maurício estava envolvido com a operação do equipamento.
Versão da mãe
Segundo a defesa, Doralice, de 76 anos, já é amparada por medidas protetivas concedidas pela Justiça em razão de episódios anteriores. Nos dias que antecederam a ocorrência, ela teria percebido repetidas vezes a presença de um drone monitorando sua propriedade, o que teria provocado temor, especialmente por já haver registros de danos em cercas, fuga de gado e outros prejuízos.
No dia da prisão, a idosa afirmou que trabalhava no manejo do rebanho ao lado de um funcionário quando voltou a avistar o equipamento sobrevoando a área. Diante da situação, decidiu acionar a polícia para que o caso fosse apurado.
A defesa destaca que, naquele momento, Doralice não sabia quem operava o drone e que apenas comunicou um fato considerado preocupante. Após diligências, os policiais localizaram Maurício em uma caminhonete, acompanhado de outro homem, com um drone e equipamentos.
Ainda conforme a nota, a idosa teria se surpreendido ao saber que o próprio filho estava envolvido. Os advogados ressaltam que a prisão não ocorreu por iniciativa pessoal da vítima, mas em razão da avaliação das autoridades de que houve descumprimento de uma ordem judicial em vigor.
Contestação de acusações
A defesa também rebate a versão apresentada por Maurício, que alegou estar no local para registrar imagens do rebanho diante de suspeitas sobre a administração de bens da herança familiar, estimada em cerca de R$ 60 milhões.
Segundo os advogados de Doralice, a alegação de venda irregular de gado não procede e seria uma tentativa de justificar a presença do empresário na região. Eles afirmam que, na condição de inventariante, a idosa estava justamente cuidando do rebanho no momento dos fatos.
A nota ainda destaca que a presença do drone não teria sido um episódio isolado, mas sim recorrente, com registros de pelo menos três ocasiões.
Nota da prefeita
Em nota, prefeita Maysa Cunha informou que a Administração Pública Municipal não é parte legítima em qualquer litígio envolvendo o Maurício. "Assim, por não se tratar de tema de interesse público municipal e em respeito ao princípio da legalidade, esta gestão não se manifestará oficialmente sobre o assunto", diz o texto.
"Nesse contexto, ressalto, na condição de cidadã, que não sou parte na referida controvérsia, a qual se restringe ao âmbito familiar, envolvendo relação entre mãe e filho. No entanto, a natureza do conflito, ao que tudo indica, diz respeito a conduta abusiva no âmbito das relações pessoais, e não a qualquer disputa patrimonial ou de herança", completou ela.
Contexto do caso
De acordo com a Polícia Civil, Maurício foi detido após ser encontrado nas imediações da propriedade, o que, na avaliação dos agentes, configura violação da medida protetiva. O caso foi registrado com base no artigo 24-A da Lei Maria da Penha, que trata do descumprimento de decisões judiciais desse tipo.
A defesa do empresário, por sua vez, nega irregularidades. Os advogados sustentam que ele estava a mais de 1,5 quilômetro da área restrita e que utilizava o drone apenas para monitorar bens do espólio, sem contato com familiares. Também classificam a prisão como indevida.
Apelo por cautela
Na manifestação, a defesa de Doralice afirma que não busca antecipar julgamentos, mas garantir a segurança da idosa, que vive sozinha em área rural. O texto pede que o caso seja tratado com responsabilidade, evitando exposição e agravamento do conflito familiar.
Os advogados ressaltam ainda a confiança nas instituições, como a Polícia Civil, o Ministério Público e o Judiciário, para conduzir o caso dentro da legalidade e assegurar a proteção da vítima.