Justiça nega “liberdade” de homem “trans” acusado de matar idosa na enfermaria do Hugo
Defensor Luiz Henrique Silva Almeida entrou com pedido de liminar a favor de Ronaldo do Nascimento após tomar conhecimento do resultado do laudo da morte de Neuza Cândida

O pedido de liberdade provisória feita pela Defensoria Pública de Goiás em favor de Ronaldo do Nascimento, 47 anos, homem “trans” acusado de assassinar por asfixia Neuza Cândida, 75 anos, na enfermaria do Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), no fim da tarde desta quinta-feira (07), foi negado pela Justiça, nessa terça-feira (12), mas o defensor Luiz Henrique Silva Almeida acredita reverter a decisão.
A informação é de que a Justiça negou o pedido de soltura, ou a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares, por ainda não ter conhecimento do resultado do laudo da morte da idosa preparado pela Polícia Técnico-Científica (PTC), que vai contra depoimentos de testemunhas, que relataram ver o acusado sobre a vítima cometendo o crime, além de não determinar morte por asfixia, como foi apontado na denúncia.
Com tudo, Luiz Henrique deu prazo de 48 horas à Polícia Técnica para liberar acesso à Defensoria ao laudo. A intenção é juntar o documento nos autos, informar o resultado à Justiça e tentar reverter a decisão judicial.
O defensor entrou com pedido de liminar de soltura a favor do acusado na segunda-feira (11), quando tomou conhecimento do resultado do laudo técnico da morte da vítima. O documento afasta qualquer indício de morte violenta como estrangulamento, esganadura, enforcamento ou qualquer outra ação contundente contra a vítima.
Luiz Henrique argumentou que "há ilegalidade na prisão preventiva, pois, a Justiça decretou a necessidade da prisão do homem de modo genérico e sem apontar qualquer elemento concreto”. Acrescentou ainda que Ronaldo é primário e não existe nos autos qualquer indício de que, se colocado em liberdade, poderá aliciar testemunhas, influir maliciosamente na instrução criminal ou se furtar a aplicação da lei penal”, completa.
Ressaltou ainda que, com o resultado dos exames técnicos, abre possibilidade, inclusive, para que não tenha acontecido crime, o que justifica o pedido de liberdade provisória.
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De acordo com a ocorrência, Neuza, que deu entrada no hospital há cerca de três meses em estado grave após sofrer uma queda em casa e, consequentemente, ter diversas complicações de saúde, estava internada na enfermaria, desde que deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), respirando por traqueostomia.
Na tarde dessa quinta-feira (07), Ronaldo teria “invadido” o Hugo e foi flagrado em cima da vítima já morta. A Polícia Militar (PM) foi acionada e prendeu o acusado em flagrante.
Uma testemunha relata que Ronaldo entrou na enfermaria dizendo que iria cuidar da paciente, mas Neuza teria reclamado da presença do acusado no local.
Ronaldo relatou aos militares que Neuza teria pedido ajuda por complicação na traqueostomia, então, ele se aproximou para fazer a limpeza do equipamento.
Durante o “procedimento”, ainda segundo o acusado, teria usado uma mão para limpar o equipamento e, sem querer, tapado um buraco do aparelho com o dedo da outra mão fazendo com que a paciente ficasse sem respirar e morresse asfixiada.

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