Justiça de Goiás solta empresário acusado de comandar esquema de fraudes no Campeonato Brasileiro
No documento de habeas corpus, o desembargador Edison Miguel da Silva Jr. entendeu que não se demonstrou "necessidade da medida extrema" para o possível esclarecimento do esquema criminoso.

O empresário Bruno Lopez de Moura, preso em São Paulo no último dia 14, acusado de comandar esquema que fraudava resultados de jogos do Campeonato Brasileiro, deixou a prisão após decisão do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), que concedeu habeas corpus solicitado pela defesa.
o advogado do empresário, Ralph Fraga, explicou que, após a prorrogação da prisão, na quinta-feira (17), a defesa entrou com um pedido de habeas corpus na sexta-feira (18). No mesmo dia, foi concedida a liminar.
"Foram acolhidos nossos argumentos de que não havia motivo, necessidade e nem fundamentação razoável para que ele continuasse em prisão temporária", explicou o advogado.
No documento de habeas corpus, o desembargador Edison Miguel da Silva Jr. entendeu que não se demonstrou "necessidade da medida extrema" para o possível esclarecimento do esquema criminoso.
"Além do mais, trata-se de crimes sem violência ou gave ameaça, bem como o paciente é primário, tem bons antecedentes e endereço fixo", escreveu o desembargador.
Bruno foi preso temporariamente na terça-feira (14), durante a operação, que foi batizada de Penalidade Máxima. A prisão temporária tem duração de até cinco dias. Na ocasião, o MP explicou que essa ação era necessária para evitar que a investigação fosse prejudicada. A operação ainda cumpriu nove mandados de busca e apreensão em Goiás e outros estados.
Atletas goianos foram alvo e são investigados por participação no esquema.
O MP explicou que o esquema funcionava da seguinte forma: os apostadores faziam propostas para atletas marcarem pênaltis nos primeiros tempos de cada jogo. Caso os jogadores aceitassem, era feito o pagamentos do “sinal”. Após a partida, caso o pênalti tivesse sido feito, os jogadores receberiam o restante do valor combinado.
A partida que teria envolvido jogadores do Vila Nova foi de um jogo do time goiano contra o Sport, ocorrido em 2022. Além deste jogo, outros dois são investigados pelo MP: Sampaio Correia x Londrina e Tombense x Criciúma, ambos do mesmo ano.
No caso dos três jogos investigados pelo MP, teria havido a combinação de que, caso os jogadores marcassem pênaltis no primeiro tempo, eles receberiam a quantia de R$ 150 mil, sendo R$ 10 mil pagos antes, como um “sinal”, e os outros R$ 140 mil pagos após o resultado obtido.
Segundo o promotor, nos jogos de Sampaio Correia x Londrina e Tombense x Criciúma os jogadores marcaram os pênaltis, da forma havia sido combinada com os apostadores.
No entanto, no jogo do Vila Nova x Sport não houve a marcação, o que teria motivado a “cobrança” dos apostadores de jogador envolvido. O MP disse que o lucro estimado pelos apostadores era de R$ 500 mil a até R$ 2 milhões.
“No jogo do Vila não teve o pênalti e os apostadores cobraram os jogadores a devolução do prejuízo causado”, disse.
Em nota, o Vila Nova Futebol Clube disse que auxilia na investigação, na condição de denunciante. A assessoria do Tigrão disse ainda que aguarda a manifestação do MP-GO com mais informações e "ressalta seu papel colaborativo e o compromisso com valores éticos, morais e de lisura que são princípios do clube e do esporte".

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