Jovem denuncia ataques transfóbicos e demissão no primeiro dia de trabalho; veja vídeo
Segundo a denúncia, logo no início das atividades a proprietária do estabelecimento teria iniciado uma série de ofensas de cunho transfóbico.

O jovem Apolloh, de 24 anos, que se identifica como pessoa não binária, registrou boletim de ocorrência denunciando ataques transfóbicos e homofóbicos que teriam ocorrido dentro de um estabelecimento comercial durante um período de trabalho freelancer de experiência. O caso teria acontecido no dia 9 de março, na loja Flora Hara (Flores e Temperos), em Cotia, no interior de São Paulo.
De acordo com o relato feito à polícia por meio da plataforma de Boletim de Ocorrência Eletrônico, a vítima foi ao local para realizar três dias de trabalho experimental, intermediado por um recrutador. Segundo a denúncia, logo no início das atividades a proprietária do estabelecimento teria iniciado uma série de ofensas de cunho transfóbico.
De acordo com Apolloh, na presença de um funcionário, a empresária teria afirmado: “Você pode ser mulher lá fora, mas na sua certidão está que você é homem, então você vai carregar peso como os outros homens daqui”. Em seguida, ainda segundo o boletim, ela teria feito uma comparação com outra funcionária.“Ela até ser mais forte que você, mas ela é menina, então ela não vai carregar peso. Você é homem, já te falei, você vai ser homem aqui dentro”, diz o relato.
A vítima também relata que, em outro momento, enquanto conversava com o colega sobre o trabalho, a proprietária interrompeu a conversa de forma agressiva, alegando que o funcionário estaria se referindo à pessoa com pronomes femininos. Segundo o denunciante, o assunto não estava sendo tratado naquele momento. Ainda assim, a empresária teria insistido dizendo: “Já falei que ele é homem aqui dentro, não é para chamar de ‘ela’”.
Demissão e recusa de delegado
Após os episódios, a vítima afirma que comunicou a situação ao recrutador responsável pelo processo seletivo. Entretanto, durante o horário de almoço, teria sido dispensada do trabalho e impedida de completar os três dias de experiência previstos. Apollho relata que sofreu danos morais e profissionais, alegando que perdeu uma oportunidade de trabalho por questionar as atitudes da proprietária.
Antes de registrar o caso online, a vítima afirma que procurou a delegacia da cidade onde o fato ocorreu, mas diz que não teve o atendimento registrado. Segundo o relato, foi informado que não haveria crime na situação. (veja o vídeo no final da reportagem)
“Eu acho isso um absurdo. É uma forma de me calar, de me silenciar. Existe LGBTfobia na Constituição e crimes não acontecem apenas quando há agressão física. Existe agressão verbal e constrangimento no trabalho”, afirmou.
A reportagem entrou em contato com Flora Hara (Flores e Temperos), mas não obteve resposta até a última atualização dessa matéria. O advogado da vítima também solicitou resposta da empresa citada, mas não teve retorno. O espaço segue aberto.

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