Jornalista de Goiás enfrenta frio congelante e "revive" acidente com avião nos Andes; assista
A proposta do simulador é permitir que participantes compreendessem, ainda que de forma controlada, a luta pela sobrevivência em meio ao frio extremo, à escassez de alimentos e ao isolamento total

O silêncio cortante das montanhas, o vento gelado e a sensação de isolamento absoluto na noite. Foi na simulação desse cenário hostil que o jornalista de Goiás, do G5News, Rafael de Sousa viveu uma experiência que marcou sua trajetória profissional e pessoal durante suas férias. Durante uma viagem ao Uruguai, Rafael visitou o Museu dos Andes e participou de um simulado nas montanhas, recriando as condições enfrentadas pelos sobreviventes de um dos acidentes aéreos mais dramáticos da história da aviação mundial.
O voo 571 da Força Aérea Uruguaia, fretado para levar uma equipe de rugby ao Chile, cai em uma geleira no coração dos Andes, em 1972. Apenas 29 de seus 45 passageiros sobrevivem ao acidente. Presos em um dos ambientes mais inacessíveis e hostis no planeta, eles são obrigados a recorrer a medidas extremas para se manterem vivos.
Acostumado ao clima quente do Centro-Oeste brasileiro, o jornalista enfrentou temperaturas congelantes. A proposta do simulador é permitir que participantes compreendessem, ainda que de forma controlada, o que significou lutar pela sobrevivência em meio ao frio extremo, à escassez de alimentos e ao isolamento total.
Um acidente que chocou o mundo
A experiência de Rafael remete diretamente ao acidente aéreo ocorrido em 13 de outubro de 1972, quando um avião FH-227D da Força Aérea Uruguaia caiu na Cordilheira dos Andes, na fronteira entre Chile e Argentina. A aeronave transportava 45 pessoas, entre passageiros e tripulantes, a maioria integrantes de um time de rúgbi do Uruguai.
Após o impacto, 29 pessoas morreram, muitas nos dias seguintes, vítimas de ferimentos, avalanches e do frio intenso. Isolados a quase 4 mil metros de altitude, os sobreviventes enfrentaram 73 dias de temperaturas abaixo de zero, sem alimentos e sem notícias de resgate.
As buscas oficiais foram encerradas semanas depois, sob a crença de que não havia sobreviventes. No entanto, contrariando todas as expectativas, Fernando Parrado e Roberto Canessa decidiram sair a pé pelas montanhas em busca de ajuda. Após 10 dias caminhando pela neve, eles encontraram um homem que acionou as autoridades chilenas.
A informação chegou à Força Aérea Chilena em 21 de dezembro de 1972, surpreendendo os socorristas, que já haviam realizado mais de cem missões de busca sem sucesso. Em meio a condições climáticas extremas, três helicópteros foram mobilizados para uma das operações mais arriscadas da história da aviação.
O resgate foi concluído em 23 de dezembro, salvando 16 sobreviventes. A missão é lembrada até hoje como um feito inédito e heroico da aeronáutica mundial.
Memória, cinema e reflexão
Cinco décadas depois, a tragédia voltou ao centro das atenções com o filme “A Sociedade da Neve”, do diretor espanhol Juan Antonio Bayona, indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional. A produção trouxe imagens impactantes e relatos fiéis que reacenderam o debate sobre sobrevivência, limites humanos e solidariedade.
Ao reviver parte dessa história nos próprios Andes, Rafael de Sousa reforça a importância de manter viva a memória do acidente — não apenas como uma tragédia, mas como um testemunho extremo da resistência humana.
“Depois de sentir o frio e o isolamento, a história deixa de ser apenas um relato distante. Ela ganha corpo, peso e silêncio. É algo que a gente nunca esquece”, conclui o jornalista.
Uma experiência que une jornalismo, história e emoção e que faz o passado ecoar, gelado e real, no presente.
Assista abaixo a experiência vivida pelo jornalista do G5News e o relato ao deixar o simulador:

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