Jesus, César, tributos e o Guedes nosso de cada dia

Uma das muitas lições que Jesus deixou, narrada na Bíblia é a famosa frase” Dê a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”, traduzida no evangelho de Mateus, capitulo 22: 17-21. Onde a dúvida levada ao debate foi justamente se era justo e previsto na lei judaica pagar imposto ao Império Romano.
Pois bem, 2 mil anos após a retórica dos tempos romanos, aqui estamos, ainda inquietos com os pagamentos de tributos, já que sabemos que o brasileiro trabalha 05 meses por ano para quitar seus débitos tributários.
Com um PIB (Produto Interno Bruto) de R$ 8,7 trilhões em 2021, segundo o IBGE. O Brasil está entre as 12 maiores economias do mundo, ranking publicado pela agência classificadora de risco econômico Austin Rating. E mesmo com números tão significativos ocupamos a posição 73 no ranking mundial do IDH (Índice do Desenvolvimento Humano).
Há menos de uma semana, O COPOM elevou para 11,75% a taxa de Juros, deixando o Brasil em 2º lugar entre as maiores taxas de juros do mundo, perdendo apenas para a Rússia que está no núcleo de uma guerra que ninguém sabe quanto tempo pode durar. Falei sobre o reflexo da guerra na inflação no artigo anterior, que pode ser encontrado nas minhas redes sociais.
Todos os analistas apontam que, a previsão de crescimento da economia para 2022, de 2,1% feita pelo Governo Federal e anunciada pelo Ministro Paulo Guedes, é irreal, pois o crescimento real deve ficar próximo de zero, ou negativo, dependendo do tempo que dure a guerra e os desdobramentos do ano eleitoral e ainda do fatos político com o orçamento nacional na concessão de benefícios sociais sem lastro.
Ocorre que com aumento da taxa básica de juros, os empréstimos via instituições bancárias ficam mais caros. E isso impacta diretamente no aporte de recursos novos no caixa das empresas. Uma vez que o empresário fica mais cauteloso na hora de executar ampliação do seu negócio e consequentemente essa atitude reflete na ampliação de oferta de empregos, pois quando um deixa de crescer, fatalmente outros na ponta também deixam.
Para aqueles que já entenderam que o caminho para crescer de forma organizada e sustentável é sempre fazer o dever de casa no assunto gestão. Os altos e baixos da economia trazem impactos moderados.
Já que sabemos que empreender no Brasil é uma atividade de risco se consideramos a segurança jurídica e as instabilidades políticas.
E como o passado sempre nos ensina a executar o presente e projetar o futuro, ficamos por hora com esse ensinamento: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.
Renata Viana é advogada tributarista e consultora política.

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