Idosa que comoveu a internet pede R$ 6 milhões por terra avaliada em R$ 550 mil
Maria da Paz e seu filho, Clodoaldo Ferreira da Silva, foram oficialmente comunicados da desapropriação em 20 de março deste ano. Valor da propriedade já foi depositado em juízo

A cena de uma idosa tentando impedir o avanço das obras de duplicação da GO-330, em Catalão, ganhou repercussão nas redes sociais e despertou manifestações de solidariedade. Os documentos do processo, porém, mostram que a disputa envolve a tentativa de receber uma indenização milionária: a família pede quase R$ 6 milhões por uma área rural avaliada em pouco mais de R$ 550 mil, valor superior a dez vezes o preço de mercado.
A proprietária Maria da Paz e seu filho, Clodoaldo Ferreira da Silva, foram oficialmente comunicados da desapropriação em 20 de março deste ano. A medida foi determinada pela Justiça após a Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra) depositar em juízo R$ 550,1 mil, montante definido com base em diversos laudos elaborados por engenheiros e peritos especializados.
A área desapropriada possui nove hectares. Levantamentos do mercado imobiliário rural apontam que propriedades com características semelhantes na região de Catalão são negociadas entre R$ 20 mil e R$ 40 mil por hectare.
A indenização depositada pelo Estado equivale a cerca de R$ 61 mil por hectare, valor acima da média praticada no mercado local. Ainda assim, a família, que possui ligação com o presidente da Cooperativa Agropecuária de Catalão (Coacal), Wender Antônio, conhecido por sua atuação em movimentos sem-terra, sustenta que a compensação é insuficiente.
Por meio de ação judicial, os proprietários passaram a reivindicar R$ 5,8 milhões pela área. O valor corresponde a aproximadamente R$ 644 mil por hectare, mais de dez vezes acima dos preços observados no mercado rural da região. A diferença entre a avaliação técnica e a quantia pleiteada transformou o caso em uma disputa judicial sobre o valor da indenização.
Com o depósito realizado e a posse autorizada pela Justiça, a Goinfra já tinha autorização para ocupar a área mais de dois meses antes da chegada das máquinas ao local. Dessa forma, o avanço das obras ocorreu dentro dos procedimentos previstos para desapropriações destinadas a empreendimentos de interesse público.
A duplicação da GO-330 exigiu a desapropriação de 46 propriedades ao longo do trecho. A grande maioria dos proprietários aceitou os acordos propostos pelo Estado e já recebeu as indenizações. Os poucos casos remanescentes seguem em negociação ou discussão judicial.
Considerada uma das obras de infraestrutura mais aguardadas do Sudeste Goiano, a duplicação da GO-330 deve ampliar a segurança viária, reduzir custos logísticos e impulsionar o desenvolvimento econômico de Catalão, Ipameri e municípios vizinhos. Com a chegada do período de estiagem, as condições para execução dos serviços se tornam mais favoráveis, permitindo a aceleração dos trabalhos nos próximos meses.

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