Homem que atropelou companheira em São Simão, é condenado a 24 anos por feminicídio
Segundo apurado, o relacionamento do casal era conturbado, com comportamento abusivo por parte de João, especialmente pelo seu ciúme incontrolável

João Batista Pereira da Silva foi condenado a 24 anos e 6 meses de prisão pelo Tribunal do Júri de São Simão, pelo feminicídio de Simone Rosa Nunes, que tinha 43 anos, companheira com quem conviveu por 17 anos. Ele foi denunciado pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) pelo crime de homicídio qualificado por uso de meio cruel, de recurso que dificultou a defesa da vítima praticado contra a mulher. Todas essas qualificadoras foram acolhidas pelos jurados. O réu está preso.
De acordo com a denúncia, oferecida pelo promotor de Justiça Fabrício Lamas Borges da Silva, o casal estava junto havia 17 anos. Ambos eram primos e ele morava na cidade de Paranaíba (MS), cerca de 100 quilômetros distante de São Simão, enquanto a vítima morava e trabalhava em São Simão. O crime ocorreu no ano de 2017.
Segundo apurado, o relacionamento do casal era conturbado, com comportamento abusivo por parte de João, especialmente pelo seu ciúme incontrolável. Conforme se constatou durante a investigação, ele sempre se mostrou possessivo e ciumento e, ainda que a distância, controlava as roupas que a vítima vestia, os lugares que frequentava e até mesmo a cor do esmalte que utilizava.
Foi verificado ainda que o denunciado também impedia que a vítima mantivesse laços de amizades muito próximos, tendo ciúme da própria família. Diante de tamanho controle, Simone, por diversas vezes, tentou romper o relacionamento, mas nunca conseguiu. O denunciado não aceitou o término e, repetidamente, afirmava para a vítima que “ela poderia terminar com ele, mas ele não terminaria com ela”.
Dia da morte
Apesar de a vítima ter rompido o relacionamento na véspera do Natal, o acusado não aceitou o término e ela se sentiu obrigada a reatar. Assim, no dia 28 de dezembro de 2017, data de uma confraternização do trabalho de Simone, eles discutiram porque João Batista quis ir embora e ela não queria deixar o evento. A poucos metros do local da confraternização, de frente ao Hotel Mágica Visão, enquanto discutiam, em circunstâncias não totalmente esclarecidas, a vítima desceu do veículo, pulou ou foi empurrada pelo denunciado.
João atropelou Simone e passou uma das rodas traseiras por cima do corpo dela, causando-lhe diversas lesões que a mataram. O atropelamento esmagou o tórax da vítima e gerou o escalpelamento parcial do couro cabeludo.
Na época do crime, João relatou que sua namorada se jogou para fora do carro tentando suicídio e por acidente ele passou com sua caminhonete sobre ela, versão que logo de início, não convenceu a polícia. Ele foi preso em flagrante e submetido ao teste de alcoolemia onde constatou 0,15mg/L.
Essas divergências sobre o ocorrido influenciaram a investigação sobre o caso, tendo sido necessário, por parte do MP, requerer diligências complementares, que possibilitaram alterar o indiciamento inicial de homicídio culposo para feminicídio.

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A caminhonete teria avançado o sinal vermelho e atingido a motocicleta. Com a força da batida, o casal foi arremessado e ficou gravemente ferido.

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