Homem morto em "acidente" com seis veículos era servidor da prefeitura de Goiânia
A batida múltipla, no Jardim América, é um desdobramento de uma série de crimes de violência doméstica praticados pelo motorista da caminhonete responsável pelo engavetamento, Lucas Santiago

O grave acidente de trânsito no Jardim América, em Goiânia, em uma cena de destruição na manhã deste domingo (26), resultou na morte de um auditor fiscal da Prefeitura de Goiânia, identificado como Alexandre Oliveira e Macedo, 56 anos, e deixou outras cinco pessoas feridas. A batida múltipla, que chocou a capital, revelou-se um desdobramento de uma série de crimes de violência doméstica e cárcere privado, praticados pelo motorista da caminhonete responsável pelo engavetamento, Lucas Santiago Batista Moreira, de 24 anos.
O caso, que começou com um feriado prolongado em Rio Quente, culminou em uma tragédia que expõe a complexidade da violência de gênero e suas consequências devastadoras.
O sinistro ocorreu quando Lucas Santiago, dirigindo uma caminhonete em alta velocidade, colidiu com quatro carros e duas motos que estavam paradas em um semáforo. A força do impacto foi tamanha que o veículo de Alexandre foi atingido, resultando em sua morte no local. Entre os feridos, está a jovem de 19 anos que era mantida em cárcere privado por Lucas, além da esposa de Murilo, um dos motoristas atingidos, que sofreu uma fratura no braço.
A investigação, conduzida pela Delegacia Estadual da Mulher (DEAM), sob a coordenação da delegada Annelisa Gomes, trouxe à tona a sequência de eventos que antecederam o acidente. Segundo o relato da delegada, a violência teve início na sexta-feira (24), quando Lucas e a jovem, que se relacionavam há pouco tempo, viajaram para Rio Quente. No destino, a vítima foi surpreendida pelo uso de drogas por parte de Lucas. Ao manifestar seu desejo de ir embora, a jovem teve seu pedido negado, iniciando um período de terror.
No apartamento, Lucas agrediu a jovem com tapas, chutes, empurrões e murros, além de puxar seu cabelo. Ele também quebrou o telefone celular da vítima quando ela tentou pedir ajuda a uma amiga. A jovem foi mantida em cárcere privado por dias, e, embora a Polícia Militar tenha recebido informações sobre a situação, não conseguiu localizá-los devido à insuficiência dos dados.
No domingo (26), Lucas decidiu retornar a Goiânia. Durante o percurso de Rio Quente à capital, a vítima relatou que a viagem transcorreu com uma "certa tranquilidade", apesar de ela ainda se sentir sob o poder do agressor. No entanto, ao entrar em Goiânia, o comportamento de Lucas mudou drasticamente. Ele passou a dirigir de forma descontrolada e perigosa, ameaçando a vida da jovem, dizendo que "a vida dela ia chegar ao fim" e que não aceitava a resistência dela. No trajeto, ele ainda parou em uma distribuidora de bebidas, onde consumiu mais álcool, impedindo a vítima de descer do carro. Pouco depois, envolveu-se em um pequeno acidente com outro motorista, fugiu do local e, em seguida, causou o engavetamento fatal no Jardim América.
Lucas Santiago Batista Moreira foi detido pela Polícia Militar e encaminhado à Delegacia da Mulher, dada a conexão direta entre o acidente e os crimes de violência doméstica. A delegada Annelisa Gomes confirmou que o estado de embriaguez de Lucas foi comprovado por exame pericial no Instituto Médico Legal (IML), e uma porção de substância entorpecente, possivelmente a mesma que a vítima o viu usar em Rio Quente, foi apreendida com ele. Durante o interrogatório, Lucas optou por permanecer em silêncio, já acompanhado por um advogado.
A Polícia Civil autuou Lucas em flagrante por crimes gravíssimos, incluindo homicídio doloso – e não apenas de trânsito –, lesão corporal, violência doméstica e cárcere privado. A delegada explicou que a tipificação como homicídio doloso se deve ao fato de ele ter assumido o risco de seus atos ao dirigir sob efeito de álcool e drogas, de forma perigosa e ameaçadora.
Murilo, um dos motoristas atingidos, relatou o impacto do acidente:
"Eu lembro bem pouco, foi muito rápido. Os flashes que eu tenho são da hora que eu paro, eu olho no retrovisor, vejo um carro branco parando atrás de mim, aí eu olho pra frente normalmente e só sinto a pancada". Ele descreveu ter "apagado" por um momento e, ao acordar, encontrou sua esposa em choque e com o braço quebrado. Murilo expressou sua frustração e preocupação com a possibilidade de Lucas ser solto, sem responder adequadamente pelos seus atos.
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A Delegacia da Mulher será a principal responsável pela investigação, embora a delegada Annelisa Gomes não descarte a necessidade de apoio de outras unidades especializadas ou a divisão do caso no judiciário para as varas especializadas em crimes de trânsito e homicídio. Para alguns dos crimes de lesão corporal contra as outras vítimas do acidente, será necessária a representação das partes para que Lucas seja processado.
Lucas Santiago Batista Moreira deve passar por audiência de custódia até esta terça-feira (28), e a Polícia Civil tem um prazo de dez dias para concluir as investigações. A delegada Annelisa Gomes enfatizou a gravidade dos crimes e a expectativa de que o judiciário mantenha o agressor preso, a fim de evitar que ele coloque a vida de outras pessoas em risco.

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