Goiânia vira referência nacional com metronização no transporte coletivo
A proposta é simples, mas sofisticada na execução: permitir que os ônibus encontrem o maior número possível de semáforos abertos, diminuindo paradas e tornando o deslocamento mais rápido e previsível

Goiânia inicia 2026 como a primeira cidade do país a adotar a metronização no transporte coletivo, tecnologia inédita no Brasil que combina inteligência artificial, semáforos inteligentes e comunicação em tempo real para priorizar a circulação dos ônibus. O sistema promete reduzir em até 30% o tempo das viagens e já coloca a capital goiana no radar de gestores públicos do Brasil e do exterior.
A proposta é simples na concepção, mas sofisticada na execução: permitir que os ônibus encontrem o maior número possível de semáforos abertos ao longo do trajeto, diminuindo paradas desnecessárias e tornando o deslocamento mais rápido e previsível. Na prática, o desempenho se aproxima ao de um metrô de superfície sobre rodas.
Nos corredores onde a metronização já está em funcionamento, a velocidade média dos coletivos, que antes variava entre 15 e 16,5 km/h, passou para patamares entre 20 e 22,9 km/h, com picos que chegam a 23 ou até 25 km/h em determinados horários. Atualmente, o sistema atende mais de 1 milhão de viagens por mês.
Segundo o prefeito Sandro Mabel (UB), a inovação representa um salto estrutural na mobilidade urbana da capital.
“É como se estivéssemos construindo 240 quilômetros de metrô. Um sistema eficiente e barato”, afirmou. Para ele, a metronização consolida Goiânia como referência nacional e internacional em transporte coletivo. “Hoje temos terminais novos, ônibus com ar-condicionado, combustível que descarboniza e uma estrutura que não tem nenhuma semelhança com o passado”, completou.
Corredores estratégicos
A tecnologia opera, neste momento, em dois eixos considerados estratégicos para a cidade: o BRT Leste-Oeste, entre o Terminal Novo Mundo e a Praça da Bíblia, e o BRT Norte-Sul, no trecho que liga o Terminal Isidória à Praça Cívica.
Nesses corredores, os ônibus conseguem atravessar até 90% dos semáforos abertos, o que reduz interrupções frequentes e aumenta a regularidade das viagens. O funcionamento depende de um parque semafórico totalmente modernizado. Tags instaladas nos veículos e sensores ao longo das vias enviam dados em tempo real aos controladores de tráfego, permitindo ajustes instantâneos na abertura dos sinais e garantindo o chamado “verde contínuo” durante boa parte do percurso.
O resultado, segundo a prefeitura, é um transporte coletivo mais ágil, com menor tempo dentro do veículo e mais conforto para os passageiros.
Mobilidade redesenhada
De acordo com o secretário municipal de Engenharia de Trânsito, Tarcísio Abreu, a metronização faz parte de um conjunto mais amplo de mudanças na política de mobilidade urbana. Entre as medidas estão a sincronização semafórica conhecida como Onda Verde, a desobstrução de vias arteriais, a criação de corredores exclusivos, a liberação de faixas de ônibus para motocicletas, a implantação da Direita Livre e a modernização de terminais e estações do BRT.
Para a gestão municipal, o pacote de intervenções busca redesenhar a forma como a cidade se move, com foco na prioridade ao transporte coletivo e na redução do tempo perdido no trânsito. Com a metronização, Goiânia aposta em tecnologia e planejamento para enfrentar um dos principais desafios das grandes cidades brasileiras.

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