Goiânia registra primeira morte por suspeita de envenenamento por metanol
Paciente estava internado no Hugol, referência em atendimentos de alta complexidade na capital

Um homem de 43 anos morreu em Goiânia com suspeita de intoxicação por metanol, segundo boletim divulgado nesta segunda-feira (20) pelo Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Goiás (CIATox), vinculado à Secretaria Estadual de Saúde de Goiás (SES-GO). Este é o primeiro caso de morte sob investigação por possível contaminação por metanol na Capital.
A vítima estava internada no Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), referência em atendimentos de alta complexidade na capital. A causa da morte ainda está sendo apurada, mas a principal hipótese é de envenenamento por ingestão de bebida adulterada com metanol, substância altamente tóxica e proibida para consumo humano.
De acordo com o boletim da SES-GO, até o momento foram notificados dez casos suspeitos de intoxicação por metanol em Goiás. Desses, quatro foram descartados após exames laboratoriais, cinco foram excluídos por não atenderem aos critérios clínicos e epidemiológicos, e apenas um — o do homem que faleceu — segue em investigação.
A diferença entre casos descartados e excluídos, segundo a secretaria, está na análise técnica: os descartados são aqueles que, embora tenham se enquadrado nos critérios iniciais de suspeita, não apresentaram presença de metanol nos exames. Já os excluídos não chegaram a atender aos critérios mínimos para serem considerados suspeitos.
Rasivel Santos, coordenador do CIATox, destacou que a atuação preventiva do estado foi fundamental para conter um possível surto. “A estratégia de fiscalização e orientação adotada pelo governo estadual ajudou a evitar que o número de casos aumentasse”, afirmou.
A preocupação com a presença de metanol em bebidas alcoólicas tem mobilizado autoridades sanitárias em todo o país. Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil já contabiliza 47 casos confirmados de intoxicação por metanol e outros 57 em investigação.
Como parte das ações de enfrentamento, uma força-tarefa estadual fiscalizou, até a última terça-feira (14), 1.193 estabelecimentos comerciais em Goiás. Durante as inspeções, foram encontradas 7.539 bebidas com irregularidades, como prazo de validade vencido ou ausência de informações sobre a origem do produto. No entanto, nenhuma das amostras coletadas — 665 no total — apresentou indícios de falsificação com metanol até o momento.
A SES-GO reforça que a população deve evitar o consumo de bebidas de procedência duvidosa e denunciar estabelecimentos que comercializem produtos sem rotulagem adequada. A ingestão de metanol pode causar sintomas como náuseas, vômitos, visão turva, convulsões e, em casos graves, levar à morte.
O caso segue sob investigação pelas autoridades de saúde e segurança pública.

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