Goiânia reage e cria rede para salvar mulheres da violência; veja como vai funcionar
“Goiânia será referência para o Brasil”, diz prefeito ao lançar rede que promete atendimento imediato, humanizado e integrado às vítimas

Em meio ao avanço dos casos de violência, a Prefeitura de Goiânia oficializou, nesta quarta-feira (6), a criação da Rede de Proteção à Mulher e da Rede de Atenção a Pessoas em Situação de Violência. A medida busca integrar serviços, acelerar atendimentos e reduzir mortes, garantindo acolhimento contínuo e humanizado às vítimas.
A resposta do poder público veio em forma de articulação. No Paço Municipal, o prefeito Sandro Mabel assinou o documento que marca a criação de duas estruturas consideradas estratégicas no combate à violência: a Rede de Proteção à Mulher e a Rede de Atenção a Pessoas em Situação de Violência.
A proposta é clara: unificar atendimentos e evitar que vítimas tenham que repetir histórias ou fiquem desassistidas. Segundo Mabel, a meta é transformar Goiânia em referência nacional.
“Estamos integrando todos os serviços municipais e também os atendimentos do Estado e da União, criando uma rede de proteção às vítimas, com atendimento imediato, humanizado e articulado”, afirmou. Ele reforçou que o objetivo é garantir suporte completo, desde a denúncia até abrigo, alimentação e acompanhamento psicológico.
A iniciativa também foi destacada como histórica por especialistas. A consultora do Ministério da Saúde, Cheila Marina de Lima, lembrou que a medida consolida uma política aguardada há décadas.
“Após 26 anos, a prefeitura institucionaliza a rede de atenção das pessoas em situação de violência. Não é qualquer gestor que faz isso”, disse. A promotora de Justiça Carla Brant também ressaltou o momento: “Goiânia será referência”.
Os dados apresentados durante o evento ajudam a explicar a urgência. Entre janeiro e outubro de 2025, foram registrados 2.888 casos de violência contra a mulher na capital. Só em março de 2026, já são 965 ocorrências. O cenário é ainda mais grave quando se observa que metade das mortes ocorre até 32 dias após a notificação, e 25% acontecem em até três dias.
Por outro lado, há um dado que aponta caminho: mulheres encaminhadas corretamente para redes de proteção têm redução de 64% no risco de morrer por feminicídio.
Na área da saúde, a estratégia ganha reforço com a criação dos chamados “Consultórios Lilás” em todas as unidades de urgência. Segundo o secretário Luiz Pellizzer, a proposta é garantir um atendimento mais completo.
“Muitas vezes a gente acompanhava a paciente sem conhecer o contexto social. Agora, com atuação conjunta, essa mulher será atendida em todas as suas necessidades”, explicou.
A rede será ampla e interligada. Participam órgãos da saúde, assistência social, segurança pública, Justiça, além de entidades como delegacias especializadas, conselhos, universidades e forças policiais. A ideia é que todos atuem de forma coordenada.
A secretária Erizania de Freitas destacou que o trabalho será feito caso a caso.
“Para que a gente estude e proponha avanços”, disse. Já a juíza Hanna Lídia Rodrigues alertou para o desafio: “O trabalho começou agora e é árduo. Cada segmento de vulnerabilidade necessita de atenção e escuta especial”.
Além do atendimento direto, a rede também vai atuar na prevenção, monitoramento de casos e produção de dados, ampliando o alcance das políticas públicas.
A nova estrutura não atende apenas mulheres, mas também crianças, adolescentes, idosos, pessoas com deficiência, população LGBTQIAPN+, migrantes e pessoas em situação de rua — todos incluídos em um sistema que promete agir antes que a violência vire tragédia.

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