Goiânia acelera para virar vitrine mundial com MotoGP e aposta em impacto bilionário
Projeção aponta geração de até 4 mil empregos e movimentação elevada durante os dias de evento, que deve atrair mais de 150 mil pessoas

Depois de mais de três décadas fora do radar da motovelocidade mundial, Goiânia volta a ouvir o ronco dos motores em alto e bom som. A capital recebe, entre os dias 20 e 22 de março, uma etapa do MotoGP — e a promessa do Paço Municipal é ousada: dinheiro circulando, empregos temporários e a cidade projetada para o mundo.
Na manhã desta sexta-feira (27), o prefeito Sandro Mabel (UB) afirmou que o evento pode gerar uma arrecadação de “R$ 1 bilhão ou mais” para o município. Não é só discurso de palanque. Segundo ele, os efeitos começam bem antes da bandeirada final. “Já tem hotel contratando, gente se preparando. Isso deixa a cidade viva por muito tempo”, disse.
O MotoGP, maior campeonato de motovelocidade do planeta, não passa por Goiânia desde 1989. Agora, volta em versão turbinada — e com ambição de legado. A expectativa oficial é de atrair entre 100 mil e 200 mil visitantes à Goiânia, movimentando quase R$ 900 milhões na economia local.
Corrida que vai além da pista
Em anúncio conjunto, a Prefeitura e o Governo de Goiás detalharam um plano que trata o evento como “âncora” de desenvolvimento. A lógica é simples: quem vem ver a corrida precisa também comer, circular, consumir cultura e gastar na cidade.
A estimativa é baseada em estudo do Instituto Mauro Borges, que calculou um gasto médio de R$ 3.180 por visitante, incluindo hospedagem, alimentação, transporte e lazer. Cerca de 12% do público deve vir do exterior e outros 32% de fora de Goiás.
Hotéis, bares, restaurantes, comércio, transporte e publicidade estão na linha de frente dos setores mais impactados. A previsão é de pelo menos 4 mil empregos temporários criados só nesse período.
Estagiários bilíngues, placas em três idiomas e portal digital
Para não fazer feio com o turista estrangeiro, a prefeitura montou uma força-tarefa. Em parceria com a Universidade Federal de Goiás e o CIEE, 46 estagiários bilíngues foram contratados para atuar em seis Centros de Atendimento ao Turista — incluindo novos postos no aeroporto, no Araguaia Shopping e no Mega Moda Park.
A cidade também ganhou sinalização trilíngue (português, inglês e espanhol) e lançou o portal “Goiânia Pulsa”, reunindo agenda cultural, informações turísticas e guias de bares e restaurantes. A ideia é facilitar a vida de quem chega — e estimular que fique mais tempo.
MotoGP para quem não vai ao autódromo
O evento não fica restrito ao Autódromo Internacional. A prefeitura criou uma programação paralela para espalhar o clima de corrida pela cidade. O “Circuito do Rock” leva shows gratuitos a 14 estabelecimentos entre março e abril. Eventos como o Motocas, na Praça Tamandaré, e o Moto Mulher, no Shopping Cerrado, misturam exposição de motos, apresentações e música.
No dia 22 de março, data da corrida principal, cinco parques da capital terão transmissão ao vivo em telões — Areião, Cascavel, Leonídio Caiado, Bernardo Élis e Nova Esperança. A expectativa é reunir até 20 mil pessoas, com estrutura temática, lazer e gastronomia.
Cidade arrumada e vitrine internacional
O pacote inclui ainda ações urbanas e sociais: plantio de 4 mil árvores, instalação de mil novas lixeiras, reforma de calçadas e academias ao ar livre. Na área social, 160 pessoas em situação de vulnerabilidade terão trabalho temporário durante o evento. Mais de 3,7 mil doses de vacinas já foram aplicadas em trabalhadores que terão contato direto com o público.
Com reforço da Guarda Civil Metropolitana, integração do transporte com a RedeMob e mais de 400 pessoas treinadas para atendimento ao público, a prefeitura tenta passar o recado: Goiânia quer fazer bonito.
A parceria que garante a capital como sede das etapas brasileiras do MotoGP vale por cinco anos, de 2026 a 2030. Para Mabel, é mais que uma corrida. “A ideia é que o visitante venha, fique feliz e encontre uma cidade alegre, segura e organizada”, resumiu.
Se depender da aposta oficial, Goiânia não quer só acelerar — quer cruzar a linha de chegada como destino definitivo no calendário internacional.

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