“Fui agredida porque pedi respeito”, relata jovem que tomou soco de agente de trânsito
Ao tentar estacionar na calçada, onde outras motos já estavam paradas, ela foi surpreendida pela reação agressiva do agente Sérgio Gonçalves da Rocha, de 43 anos.

Thalita Morganna, de 30 anos, denunciou ter sido agredida com dois tapas no rosto por um agente da Superintendência Municipal de Trânsito (SMT) de Trindade, na Região Metropolitana de Goiânia. O caso aconteceu na manhã da última quinta-feira (5), na Rua Major Gomes, no Setor Pai Eterno, e foi filmado por testemunhas. O vídeo viralizou nas redes sociais e gerou indignação.
Segundo Thalita, em entrevista à Record TV Goiás, tudo começou quando ela se dirigia para uma consulta médica e encontrou a via bloqueada. Ao tentar estacionar na calçada, onde outras motos já estavam paradas, ela foi surpreendida pela reação agressiva do agente Sérgio Gonçalves da Rocha, de 43 anos.
“Ele gritou comigo dizendo que eu não podia passar. Eu expliquei que só ia estacionar na calçada. Foi quando ele falou: ‘Você está ficando surda?’. Pedi que ele falasse mais baixo, e ele retrucou dizendo que eu estava ‘alteradinha’. Em seguida, ele pegou a chave da minha moto”, contou Thalita.
Diante da situação, a mulher decidiu tirar o capacete e começar a gravar a abordagem. Ainda de acordo com seu relato, ela pediu várias vezes que o agente devolvesse a chave do veículo, mas ele se recusou. Ao tentar pegar a chave de volta do bolso dele, o agente reagiu e a calça dele acabou rasgando.
“Foi aí que ele me deu um tapa no rosto. Está no vídeo. Quando fui tirar satisfação, ele me bateu de novo. Eu fiquei desnorteada, parei de gravar. Ele ainda tentou me agredir uma terceira vez, mas os homens da rua o contiveram”, disse. Thalita ainda afirma ter ficado com hematomas no rosto e nos braços após a agressão.
“Eu só pedi que ele falasse com respeito. Por isso fui agredida. Nunca imaginei passar por isso, ainda mais de um servidor público”, desabafou Thalita.
Afastado
A Prefeitura de Trindade confirmou que o agente foi afastado de suas funções e que uma sindicância foi aberta para apurar os fatos. Em nota, o órgão declarou que “não compactua com nenhum tipo de desvio de conduta ou violência por parte de seus servidores”.
O caso foi registrado na Polícia Civil e também na corregedoria da SMT. Thalita foi levada para a UPA da cidade e, em seguida, para a Central de Flagrantes. O agente Sérgio da Rocha também foi conduzido à delegacia, onde foi autuado por lesão corporal dolosa. Thalita, por sua vez, foi inicialmente registrada por desacato, mas a defesa da mulher alega que a acusação não se sustenta diante do vídeo que circula nas redes.
Além do episódio atual, o agente já responde a um processo por violência doméstica, registrado em 2022, atualmente em fase de recurso. O caso segue sob investigação.

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