Fragmentação da vegetação nativa no Brasil atinge níveis alarmantes
Estudo aponta que fragmentos de vegetação nativa diminuíram em tamanho ao longo de 38 anos.
A cobertura de vegetação nativa no Brasil aumentou para 7,1 milhões de hectares em 2023, mas o aumento vem acompanhado de um grave problema: a fragmentação. O estudo do Mapbiomas revela que a transformação de grandes áreas verdes em pequenos fragmentos remanescentes é alarmante.
A pesquisa mostra que o tamanho médio dos fragmentos caiu drasticamente de 241 hectares, em 1986, para apenas 77 hectares em 2023. Isso implica diretamente na diversidade e quantidade de fauna e flora, afetando ecossistemas inteiros.
A fragmentação, que foi analisada pela primeira vez, mostra que quase 5% da vegetação nativa brasileira, o equivalente a 26,7 milhões de hectares, está em pedaços menores que 250 hectares. Esse cenário é preocupante, principalmente para as espécies que dependem de áreas maiores para sobreviver.
A Mata Atlântica e o Cerrado são os biomas mais afetados, com 2,7 milhões de fragmentos isolados em cada um. Na Mata Atlântica, pequenas porções respondem por cerca de 28% da vegetação nativa remanescente, totalizando 10 milhões de hectares.
O coordenador do Módulo de Degradação do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Dhemerson Conciani, alerta para os impactos dessa fragmentação. A diminuição do tamanho aumenta o risco de extinções locais e reduz a recolonização de espécies a partir de outras áreas.
Esse cenário de degradação e diminuição dos fragmentos de vegetação nativa, que cresceu 260% desde 1986, revela uma grave transformação ambiental no Brasil, exigindo atenção urgente de pesquisadores e formuladores de políticas públicas.

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