Fazendeiro acusado de matar corretor por comissão de R$ 20 milhões vai a júri popular
Segundo o Ministério Público de Goiás, na noite de 20 de junho de 2022, os denunciados, asfixiaram e queimaram o corpo de Wellington Luiz Ferreira Freitas

O fazendeiro Renato de Souza e mais dois homens, denunciados pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) pelo homicídio do corretor de imóveis Wellington Luiz Ferreira Freitas, de 67 anos, ocorrido em junho de 2022, vão a júri popular pela 1ª Vara Criminal de Rio Verde, no sudoeste goiano. A investigação aponta que Renato devia quase R$ 21 milhões a Wellington como comissão pela venda de uma fazenda, mas relutava em pagar e armou para o crime.
Além dele, Rogério Oliveira Muniz teria sido contratado para cometer o homicídio e Rogério Teles Borges auxiliou no crime e ficou incumbido de vigiar os passos do executor, para garantir que o serviço seria completo. De acordo com a juíza Grymã Guerreiro Caetano Bento, o caso se trata de crime doloso contra a vida – os quais são julgados pelo Tribunal do Júri.
A magistrada também negou os pedidos de revogação de prisão feitos pela defesa dos acusados, mantendo-os em prisão preventiva. O promotor de Justiça Paulo Brondi, autor da ação penal, relata que, na noite de 20 de junho de 2022, os denunciados, asfixiaram e queimaram o corpo de Wellington Luiz Ferreira Freitas.
Planejamento e ação
Segundo o Ministério Público, Wellington foi morto em uma fazenda na BR-060, em Rio Verde. Logo após a morte da vítima, Rogério Oliveira Muniz, com o auxílio de Renato de Souza, seguiu para uma estrada vicinal próxima à Rodovia GO-333, local em que a dupla ateou fogo no corpo do idoso e seu veículo.
Renato devia quase R$ 21 milhões, referente à comissão da venda de uma fazenda, que estava sendo cobrada judicialmente. Relutante em pagar o valor, Renato optou por mandar matar Wellington. Paulo Brondi relata que, para colocar sua intenção em prática, procurou Rogério Muniz e ofereceu a ele R$ 150 mil para a execução do crime.
Plano foi colocado em prática
Rogério Muniz aceitou a proposta e no dia 18 de junho de 2022 Renato fez dois depósitos via PIX, no valor de R$ 20 mil e R$ 10 mil, como adiantamento. Ele, ainda, deu a Rogério Muniz 4 pneus novos. Sob a orientação e supervisão direta do contratante Renato, Rogério Muniz procurou a vítima identificando-se como Adriano, pessoa supostamente interessada na compra de terras em Goiás.
Ainda de acordo com a denúncia, feitos os contatos iniciais, Rogério Muniz e a vítima se encontraram na manhã da data do crime, quando Wellington levou Rogério Muniz até sua fazenda, a fim de tentar vendê-la a ele.
Nesse local, enquanto estavam dentro do carro de Wellington, Rogério Muniz imobilizou a vítima com uma corda e a enforcou. Após, acreditando tê-lo matado, ele deixou o corpo no local e fugiu.
Fogo
Logo em seguida, contando com o auxílio de um terceiro, ele pôs fogo no carro, com a intenção de destruir os vestígios do crime e impossibilitar sua descoberta. A manobra contou com a ajuda também de Renato, o qual lhe entregou dois galões contendo óleo diesel.
Já à noite, Rogério Muniz recebeu um telefonema de Rogério Teles, que o ameaçou afirmando que ele teria que terminar o serviço. Rogério Muniz, então, retornou ao local do crime e colocou fogo no corpo da vítima, buscando apagar suas digitais.
Rogério Muniz e Renato conversaram durante o dia do crime, sendo feitos outros dois depósitos via PIX, no valor de R$ 25 mil e R$ 17 mil reais. Verificou-se também que Rogério Teles ficou incumbido de dar suporte logístico ao executor, providenciando dois celulares que se falassem, sendo depois descartados. Rogério Teles ainda era incumbido de vigiar os passos do executor.

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