Família denuncia que homem morto após fazer enfermeira refém, perdeu a consciência por medicação errada
Ainda conforme relato da família, Luiz era renal crônico e fazia diálise há mais de 20 anos, usava insulina com regularidade, além de ser hipertenso.

O dentista Luiz Henrique Dias, filho de Luiz Claudio Dias, de 59 anos, paciente que fez uma enfermeira refém durante um surto psicótico na UTI do Hospital Municipal de Morrinhos, no Sul de Goiás, postou vídeos nas redes sociais, enquanto esperava pela liberação do corpo do pai. Ele se diz revoltado com a situação e que soube da morte por vídeos que circularam entre os moradores do município.
Luiz Cláudio foi morto por um policial militar após fazer a profissional refém e a ameaçar durante o surto, segundo a Polícia Militar (PM). Um vídeo mostra o momento em que, ameaçada com um pedaço de vidro, a mulher consegue afastar o braço do paciente. Os dois caem no chão e Luiz é baleado logo depois. O caso aconteceu no sábado (18). O funeral de Luiz Cláudio acontece neste domingo (19) e o sepultamento deve ocorrer às 19h.
A família do paciente se diz revoltada e cobra por justiça pelo caso. "A polícia matou meu pai dentro de uma UTI", disse o filho em rede social. "Eu fiquei sabendo que meu pai morreu antes mesmo da equipe médica me falar. Que despreparo desse povo. A dor é grande, mas Deus vai fazer justiça. A polícia matou meu pai dentro de uma UTI, um paciente com hipoglicemia, com menos de 60 kg, fragilizado" desabafou o dentista no vídeo.
Família acusa negligência
A nutricionista Gabriela Mello, outra filha de Luiz Claudio, respondeu um comentário em uma das publicações que mostram o vídeo do pai, onde acusa os profissionais do hospital de negligência médica. Segundo ela, Luiz tinha diabetes tipo 1 e, durante a internação, recebeu doses de insulina acima do que era necessário. Seu Luiz teria tido um quadro de hipoglicemia, condição em que o nível de glicose no sangue está muito baixo, o que pode, dentre outros sintomas, causar confusão mental.
“Continuaram dando insulina em bomba, o que levou a um quadro de hipoglicemia mais grave. Ele era um paciente de 59 anos, pesando menos de 60 kg, totalmente debilitado”, escreveu a jovem. “Ele recebeu nossa visita duas horas antes do ocorrido, totalmente lúcido e orientado. Mas a equipe é tão desqualificada que preferiram medicar ele além do necessitado. O resultado foi esse. Hoje perco meu pai”, pontuou.
Ainda conforme relato da família, Luiz era renal crônico e fazia diálise há mais de 20 anos, usava insulina com regularidade, além de ser hipertenso. O paciente também tinha deficiência visual de um dos olhos e sofria com picos de hipoglicemia, momentos que perdia a consciência. Antes de ir para a UTI de Morrinhos, Luiz também passou pelo Regional de Piracanjuba. Segundo o filho, ele chegou a questionar o médico plantonista o motivo do pai ainda estar na UTI.
Polícia Militar
Em nota, a Polícia Militar (PM) afirmou que protocolos de gerenciamento de crises foram aplicados para tentar liberar a enfermeira, mas que, mesmo diante das tentativas, foi necessária a realização de um disparo contra o paciente para resguardar a vida da refém. Afirmou ainda que um procedimento administrativo foi instaurado para apurar os fatos. (Confira a nota completa no final da reportagem).
Em entrevista ao Portal G1, o prefeito de Morrinhos, Maycllyn Carreiro (PL), afirmou que Luiz Claudio não tinha histórico de surtos psicóticos e que fazia um tratamento renal há três dias. O prefeito disse ainda que casos de surtos durante a internação em uma UTI não são incomuns.
"Não é incomum pacientes terem delírios e, às vezes, surtos, durante os tratamentos na UTI. Só que, esse fato, foi totalmente atípico. Ele [Luiz] se levantou do leito onde estava internado, arrancando os equipamentos e falando de forma totalmente desconexa, correu para o banheiro, quebrou o vidro, pegou a enfermeira, que estava saindo do banheiro feminino, a engravatou e colocou o vidro no pescoço dela", contou o prefeito.
Nota Polícia Militar
A Polícia Militar de Goiás informa que, na noite de sábado (18), uma equipe do 36º Batalhão da Polícia Militar atendeu uma ocorrência no Hospital Municipal de Morrinhos, onde um paciente, em surto psicótico, manteve uma técnica de enfermagem refém na UTI, ameaçando-a com um objeto perfurocortante (pedaço de vidro).
Após a chegada dos policiais, foram iniciados protocolos de gerenciamento de crises para liberar a vítima. Apesar das tentativas de verbalização para que o autor liberasse a vítima, ele permaneceu em atitude agressiva e reiterou as ameaças.
Diante do risco iminente à vítima, foi necessário a realização de um disparo de arma de fogo para neutralizar a agressão e resguardar a integridade física da refém.
Mesmo alvejado, o autor continuou resistindo, sendo necessária a sua contenção pelos demais policiais militares. A equipe médica prestou socorro imediato, mas infelizmente ele não resistiu aos ferimentos e veio a óbito.
A ocorrência foi acompanhada pelo delegado plantonista, que conduzirá as investigações cabíveis.
A Polícia Militar informa, ainda, que foi determinada a instauração de procedimento administrativo para apurar os fatos.

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