Expulsa de Goiás, Enel continua a dar trabalho em São Paulo e prefeito quer romper contrato
O conjunto de problemas promovido pela concessionária fez o prefeito Ricardo Nunes ir até Brasília pedir que o TCU faça investigação do caso.

A concessionária Enel, que foi expulsa de Goiás por causa do descaso com o consumidor, continua a causar transtornos devido às constantes quedas de árvores e interrupção de energia na cidade de São Paulo. A empresa é tão negligente que levou o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), a protocolar no Tribunal de Contas da União (TCU), nesta semana, um pedido de fiscalização do contrato da Prefeitura com a Enel.
O prefeito, que buscará a reeleição este ano, não suporta mais a pressão da população e de seus opositores, que têm criticado, desde 2023, os serviços prestados pela empresa em razão dos frequentes apagões em dias de chuva e pela demora da concessionária em restabelecer a energia.
O conjunto de problemas fez o prefeito sair de São Paulo e ir até Brasília pedir investigação. Nunes entregou o ofício com detalhes das falhas cometidas pela Enel ao ministro e presidente do TCU, Bruno Dantas.
O prefeito, que estava acompanhado dos deputados federais Paulinho da Força (Solidariedade) e Baleia Rossi (MDB), ainda defendeu que a única solução para o problema é romper com a companhia, que tem contrato com o Executivo paulista até 2028.
“Fizemos um relato robusto do descaso da Enel com o povo de São Paulo e protocolamos hoje no Tribunal de Contas da União em Brasília o pedido de fiscalização ou rescisão do contrato da Enel na nossa cidade”, escreveu Nunes no X (antigo Twitter), na noite da última quarta-feira (31). “Ou a Enel trabalha direito e respeita nosso povo trabalhador ou sai da cidade de São Paulo”, completou.
Em nota, a Enel disse que não vai comentar as declarações.
O TCU emitiu nota afirmando que “como órgão que exerce controle externo da administração pública”, vai examinar a situação e “aprofundar a fiscalização para verificar como os serviços podem ser melhorados e identificar os responsáveis”.
No mesmo comunicado, o órgão afirmou que vai tentar encontrar soluções “para que as pessoas voltem a ter uma vida normal”.
O Tribunal de Contas da União é responsável por fiscalizar os setores da infraestrutura nacional, incluindo os de energia elétrica.
Enel em Goiás
Em novembro de 2023, em entrevista ao Estadão de São Paulo, o governador Ronaldo Caiado (União) foi taxativo ao afirmar que a Enel é caso de polícia e conseguiu expulsar a empresa de Goiás.
A concessionária, após muita pressão por causa do péssimo serviço prestado, vendeu a distribuição de energia no estado para a Equatorial, por R$1,6 bilhão.
A transação foi aprovada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em dezembro, e a nova empresa assumiu o serviço no estado.

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