Ex-assessor do ex-presidente da Câmara de Anápolis é preso com R$ 300 mil em espécie
Após a repercussão da prisão, Leandro Ribeiro divulgou uma nota rebatendo qualquer associação entre o caso e sua atuação pública.

Um ex-servidor que atuou ao lado do ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de Anápolis, Leandro Ribeiro, foi detido na manhã desta sexta-feira (5) durante uma operação da Polícia Civil de Goiás. O preso é Aldo Pereira de Matos, de 62 anos, que, apesar de ter sido oficialmente nomeado como assessor parlamentar à época em que Leandro exercia mandato, desempenhava principalmente a função de motorista do então vereador.
Aldo foi autuado em flagrante por lavagem de dinheiro, após uma ação que flagrou o transporte de R$ 300 mil em espécie. Outros dois homens que o acompanhavam também foram detidos. A abordagem ocorreu na BR-060, no trecho entre Anápolis e Brasília. Atualmente Leandro é subsecretário na Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços de Goiás.
Investigação e deslocamento
A operação foi conduzida pelo Grupo Especial de Investigações Criminais (Geic) e pelo Grupo Especial de Repressão a Narcóticos (Genarc), que passaram a monitorar o grupo após identificar transações bancárias consideradas suspeitas.
Segundo a polícia, os agentes acompanharam discretamente os investigados desde o momento em que o dinheiro foi sacado em uma agência bancária de Anápolis. De lá, eles seguiram em comboio pela rodovia federal, sentido Distrito Federal.
Durante o percurso — monitorado com autorização judicial — o grupo fez paradas e realizou trocas de volumes entre veículos. Segundo investigadores, esse tipo de movimentação é comum em esquemas destinados a dificultar o rastreamento de recursos ilegais.
Com base no monitoramento contínuo, as equipes deflagraram uma ação simultânea no Distrito Federal e em Anápolis, interrompendo o deslocamento e apreendendo o montante em dinheiro.
Apurações preliminares indicam fortes sinais de tentativa de lavagem, sobretudo pelo transporte da quantia em espécie e pelo modo como os valores eram divididos entre os envolvidos. As informações foram publicadas inicialmente pelo Portal 6.
Leandro Ribeiro nega envolvimento
Após a repercussão da prisão, Leandro Ribeiro divulgou uma nota rebatendo qualquer associação entre o caso e sua atuação pública. O ex-vereador afirmou ter sido “surpreendido” ao ver seu nome vinculado à operação e negou que Aldo fosse seu “braço direito”.
Na manifestação, ele ressaltou que exerceu o mandato na Câmara Municipal de Anápolis entre 2017 e 2024, período em que presidiu o Legislativo por dois biênios, e que sempre manteve conduta ilibada.
Leandro diz conhecer Aldo desde quando ocupou cargo no governo estadual. Segundo ele, o ex-servidor foi designado inicialmente como motorista e, posteriormente, contratado como assessor parlamentar por residir em Anápolis. A exoneração, segundo o político, ocorreu em março de 2024, e desde então não haveria qualquer relação entre os dois.
O ex-vereador rejeitou “qualquer tentativa de associação indevida” e ressaltou que cada pessoa deve responder pelos próprios atos, afirmando não compactuar com irregularidades.
Ele também sugeriu que o episódio pode estar relacionado ao período pré-eleitoral, lembrando que é pré-candidato a deputado estadual, o que, segundo ele, “costuma atrair perseguições e distorções”.
Leandro concluiu dizendo que confia na apuração dos fatos e que seguirá sua pré-campanha com “serenidade e compromisso com Anápolis e Goiás”.
Nota de Leandro Ribeiro na integra
“Fui surpreendido com a vinculação do meu nome às notícias divulgadas hoje envolvendo a prisão do ex-servidor Aldo Matos, incluindo insinuações de que ele seria meu “braço direito”. Diante disso, preciso esclarecer os fatos com total transparência.
Exerci o mandato de vereador em Anápolis entre 2017 e 2024, presidindo a Câmara Municipal por dois biênios consecutivos, sempre mantendo uma trajetória pública íntegra, responsável e sem qualquer ocorrência que desabonasse a minha conduta.
Conheci Aldo Matos quando fui secretário de Estado. Posteriormente, pelo fato de ele também residir em Anápolis, foi designado para atuar como motorista e, mais tarde, contratado como assessor parlamentar. Ele foi exonerado em março de 2024, e desde então não mantenho qualquer vínculo, contato ou conhecimento sobre suas atividades.
Rejeito veementemente qualquer tentativa de associar minha imagem a atitudes ou condutas que não correspondem à minha vida pública.
Cada pessoa responde pelos seus atos, e jamais compactuei — nem compactuarei — com qualquer irregularidade.
É importante lembrar que estamos às vésperas do ano eleitoral. Sou pré-candidato a deputado estadual, e infelizmente é comum surgirem perseguições, distorções e tentativas de atingir lideranças políticas por meio de insinuações sem fundamento.
Sigo confiante de que a verdade prevalece e continuarei meu trabalho com serenidade e compromisso com Anápolis e com Goiás.”

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