‘Eu tenho medo’, ‘meu nome é Eneas’ e outras propagandas eleitorais inesquecíveis para relembrar
Os momentos do horário eleitoral que ficaram marcados na história brasileira

A propaganda eleitoral no rádio e na TV começa nesta sexta-feira e, até 29 de setembro, 70 minutos das grades das emissoras serão dedicadas aos candidatos a presidente, governador, deputado federal e estadual. Em caso de segundo turno, dois blocos diários de dez minutos serão veiculados do dia 7 a 28 de outubro. E que tal relembrar o que ocorreu nos outros anos? Desde 1989, primeira eleição após a redemocratização, muitos candidatos fizeram história e nem sempre com muito tempo de TV. Algumas frases e jingles marcaram o imaginário popular.
Este é o caso, por exemplo, do candidato à Presidência Constituinte Eymael (DC) que, neste ano, integra a disputa pelo Palácio do Planalto pela sexta vez. Dono de um dos jingles mais marcantes da história do Brasil, não há quem não saiba cantar “Ey, ey , Eymael, o democrata cristão”. Lançado em 1985, quando concorria à prefeitura de São Paulo aos 33 anos, o verso não deu muita sorte naquela eleição e o candidato terminou em último lugar, mas a fama concedida foi o suficiente para ser eleito deputado federal constituinte em 1986. Nas presidenciáveis, desde 1998, o presidente do Democracia Cristã sempre reutiliza o jingle.
Relembre as principais:
Além das músicas chicletes, algumas falas das propagandas marcaram gerações. Com apenas quinze segundos de tempo de televisão, o médico cardiologista Enéas Carneiro foi do anonimato ao estrelato. Fundador do Partido de Reedificação da Ordem Nacional (Prona), ele encerrava cada participação no horário eleitoral com o bordão que caiu no gosto popular: “Meu nome é Enéas”. O discurso acelerado e firme marcou o pleito e foi o suficiente para garantir 360 mil votos e, posteriormente, o terceiro lugar na disputa de 1994, quando ficou atrás apenas de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Entre os nomes que disputaram o segundo turno em 1989, Lula, que concorria sua primeira eleição, e Fernando Collor de Melo (PRN), também mobilizaram os holofotes. Em programação nacional, Collor trouxe a atriz Claudia Raia que dava um testemunho das virtudes do político: "Um homem bem nascido, não precisa do dinheiro do povo", dizia Claudia que, posteriormente, revelou se arrepender do apoio dado.
Os versos “Lula lá, brilha uma estrela, Lula lá nasce a esperança” em um coro que contava com as vozes de Chico Buarque e Gilberto Gil não ganhou a disputa daquele ano, mas marcou a história do país.
Apesar de não ter concorrido efetivamente, a breve presença do apresentador Silvio Santos entre os presidenciáveis também marcou a campanha de 1989. O apresentador divulgou a candidatura pelo PMB dias antes do primeiro turno e, por isso, já anunciava que não teria o nome na cédula de votação. A inclusão foi amplamente criticada por todos os adversários que consideravam a inserção de Silvio uma manobra de Sarney. Antes do Tribunal Superior Eleitoral embargar a candidatura por irregularidades na sigla, o apresentador fez algumas inserções na TV: “É o 26, é o 26, com o Silvio Santos já chegou a nossa vez”.
E, após três tentativas sem sucesso, em 2002, tudo indicava que Lula seria eleito presidente, como de fato ocorreu. Atrás nas pesquisas, entre o primeiro e o segundo turno, o adversário José Serra (PSDB) veiculou uma propaganda com a atriz Regina Duarte. Na gravação, ela dizia ter medo que o petista vencesse a eleição. Como resposta, o PT lançou a campanha “A Esperança vai Vencer o Medo” e a também atriz, Paloma Duarte, gravou uma resposta em defesa de Lula, que venceu com 61,27% dos votos válidos.
Em 2010, o fundador do atual PRTB, Levy Fidelix, ganhou notoriedade com a proposta que já tinha aparecido nas propagandas eleitorais quando concorreu ao governo do estado de São Paulo em 1998 e 2002: o aerotrem. Em pílulas de um minuto sobre os benefícios e com animação ilustrativa do transporte no fundo, Fidelix marcou a disputa.
Em 2014, Marina Silva se tornou o principal alvo da campanha à reeleição de Dilma Rousseff (PT). A proposta defendida pela candidata — representando a candidatura do PSB — de dar autonomia para o Banco Central, originou uma série de ataques da campanha petista. Em um dos comerciais veiculados, de 30 segundos, a comida sumia do prato de uma família enquanto um locutor dizia que decisões importantes para a vida dos brasileiros passariam a ser tomadas por banqueiros e não mais por representantes eleitos.
Para além das campanhas presidenciais, Francisco Everardo Oliveira Silva, o famoso palhaço Tiririca ganhou destaque nas eleições de 2010. Eleito na sua primeira eleição, o humorista foi o deputado mais bem votado do país. À época, ele assumia não saber o que um deputado faz. O palhaço dizia: “Vote no Tiririca, pior do que está não fica”. Nos anos seguintes, o humorista manteve o tom de paródia. Em 2014, imitou Roberto Carlos, e em 2018, imitou o jogador Neymar e a cantora Jojo Toddynho.
Em 2014, um empresário ficou famoso. O candidato Paulo Batista concorreu a Alesp pelo PRP. Com o discurso do “raio privatizador”, que exterminaria os comunistas, ele se apresentava como uma espécie de super-herói da direita.
Na última disputa eleitoral, na esfera municipal, a candidata à reeleição Joice Hasselmann (PSDB) aderiu ao bullying dos ex-aliados. Chamada constantemente de “Peppa Pig” e associada à Miss Piggy dos Muppets, ela decidiu se valer do discurso e fazer uma propaganda com imagens do programa infantil americano: "tem jeito, tem Joice".

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