Motoristas que passaram pelos postos da capital nesta terça-feira (9) foram pegos de surpresa ao se deparar com o etanol chegando a R$ 5,27, um salto repentino de cerca de R$ 0,70 de uma só vez. O reajuste, considerado brusco por consumidores e revendedores, provocou filas, reclamações e um clima geral de descontentamento.
O contraste ficou ainda mais evidente quando comparado às cidades vizinhas. Em Anápolis, o litro do etanol foi encontrado por R$ 4,49, enquanto em Rio Verde o preço girava em torno de R$ 4,59 — diferenças que ultrapassam R$ 0,70 e reforçam a percepção de que Goiânia vive uma escalada atípica no combustível.
Segundo Márcio Andrade, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo em Goiás, o aumento está ligado ao período de entressafra, quando a produção de etanol cai e o mercado fica mais sujeito a oscilações. Andrade afirma que as distribuidoras têm aplicado reajustes consecutivos nas últimas semanas e que parte desses aumentos havia sido segurada pelos postos.
“Em algum momento, o repasse acontece. O varejo segura enquanto pode, mas quando o custo sobe repetidamente, é inevitável que chegue ao consumidor”, afirmou. O dirigente também classificou o reajuste como “um movimento típico da sazonalidade do setor”.
A disparidade entre os preços de Goiânia e demais municípios ocorre ainda no contexto do anúncio recente do Confaz, que confirmou mudanças tributárias a partir de 1º de janeiro. O ajuste, porém, não inclui o etanol — atingindo apenas gasolina, diesel, biodiesel e gás de cozinha. Mesmo assim, a notícia alimentou especulações sobre possíveis reajustes antecipados, o que Andrade nega.
Para consumidores, o impacto foi imediato. Muitos relataram sensação de “absurdo”* e “roubo”* — termos que ganharam destaque nas redes sociais, onde usuários passaram a denunciar o que chamam de “injustificável disparidade regional”.
Especialistas avaliam que a volatilidade deve se manter nas próximas semanas, especialmente até o reequilíbrio da oferta nacional. A recomendação de economistas é que motoristas busquem comparar preços entre bairros e cidades próximas, já que a diferença atual ultrapassa 15% em alguns casos.
Enquanto isso, os órgãos de proteção ao consumidor devem intensificar o monitoramento para identificar possíveis práticas abusivas. Para quem depende do veículo no dia a dia, a sensação é de incerteza — e de que o preço do etanol em Goiânia ainda pode render novos capítulos.