Empresa sem autorização para fazer exames em ônibus continua fazendo mutirões de saúde em Goiás
Também há relatos de que o ônibus não dispõe de água potável e apresenta condições inadequadas de higiene e segurança.

A Agência Nacional de Desenvolvimento Social (ANDS), presidida por Laigton Almeida, segue promovendo mutirões de saúde em diversas cidades do interior de Goiás, mesmo diante de denúncias que apontam que os veículos utilizados — incluindo um ônibus da Cruz Vermelha — não possuem autorização legal para atuar como unidades móveis de atendimento.
Na última semana os municípios de Vila Propício e Orizona receberam o atendimento ilegal. A falta de documentação torna exames feitos no veículo irregular e devem ser excluídos dos mutirões.
O G5News recebeu novas informações que reforçam a suspeita de que a instituição estaria fechando contratos sem licitação com prefeituras, movimentando valores que podem chegar à casa dos milhões. Apesar disso, a entidade continua executando a agenda de atendimentos no estado.
Irregularidades estruturais e ausência de licenças
Segundo a denúncia, os veículos utilizados no projeto — uma carreta e um ônibus adaptado — não possuem alvará de funcionamento, nem autorização da Vigilância Sanitária, como exige a legislação para unidades móveis de saúde. As primeiras denúncias surgiram após o mutirão “Saúde na sua Porta”, promovido entre os dias 4, 5 e 6 de novembro, em Itapaci (222 km de Goiânia).
Ainda conforme o relato, os equipamentos usados para exames de imagem e outros procedimentos não teriam certificados de aferição nem licenças da Anvisa ou da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), o que coloca em risco a segurança dos pacientes e pode configurar operação irregular.
Para atuar legalmente, unidades móveis que oferecem serviços como mamografias, radiografias ou ultrassonografias precisam apresentar Licença sanitária específica; Laudo de radioproteção; Responsável técnico habilitado e Certificação dos equipamentos utilizados, mas nada disso teria sido apresentado.
Uso de ônibus da Cruz Vermelha para contratos pagos
Outro ponto grave da denúncia é o suposto uso indevido de um ônibus da Cruz Vermelha Brasileira, instituição filantrópica sem fins lucrativos. O veículo estaria sendo usado para prestar serviços remunerados a prefeituras, o que, além de contrariar normas da entidade, poderia caracterizar irregularidade na destinação de um bem pertencente a uma organização beneficente.
Também há relatos de que o ônibus não dispõe de água potável e apresenta condições inadequadas de higiene e segurança.
De acordo com o denunciante, diante da repercussão das irregularidades — inicialmente reveladas em mutirões realizados em Itapaci —, a ANDS teria deixado de divulgar previamente as cidades e datas dos atendimentos. A estratégia seria evitar denúncias que possam resultar em fiscalizações, embargos das atividades ou cancelamento de contratos.
Agora, segundo a denúncia, a empresa só divulga imagens e informações após a realização dos eventos, quando o mutirão já foi concluído.
Cronograma revela novas cidades que receberão mutirões
Apesar do sigilo nas redes sociais, um cronograma interno obtido pela reportagem mostra que a ANDS planeja atuar em 11 cidades de Goiás, totalizando mais de 18 mil atendimentos, mesmo sem comprovar autorização para operar.
Cidades que ainda devem receber os mutirões (datas a definir):
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Novo Gama – previsão de 7.560 atendimentos
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Aparecida de Goiânia – cerca de 3.483 atendimentos
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Cristalina – cerca de 1.185 atendimentos
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Padre Bernardo – cerca de 1.185 atendimentos
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Porteirão – cerca de 1.185 atendimentos
Cidades onde o mutirão já ocorreu:
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Mossâmedes – 14 e 15 de outubro
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Cachoeira Dourada – 17 a 22 de outubro
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Orizona – 22 e 23 de outubro
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Abadiânia – 24, 27 e 28 de outubro
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Anápolis – 25 de outubro
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Vila Propício – 30 e 31 de outubro
Os procedimentos oferecidos incluem mamografias, ultrassonografias, consultas ginecológicas, exames oftalmológicos, avaliações de fisioterapia pélvica e entrega de óculos.
Contratos sob suspeita
O conjunto de denúncias levanta suspeitas de que prefeituras estariam firmando contratos sem licitação com a ANDS, mesmo sem comprovação de que os veículos e equipamentos utilizados possuem condições sanitárias, técnicas e legais para realizar atendimentos de saúde.
Enquanto as investigações não avançam, a empresa continua executando sua agenda no estado, utilizando inclusive um veículo pertencente à Cruz Vermelha, que deveria ser destinado a ações humanitárias e não a contratos milionários.
A reportagem tentou contato com a empresa, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem. O espaço continua aberto.

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