Doméstica que "desapareceu" em Goianira contou que "fugiu" por causa de dívidas; devia até ao marido
Segundo a delegada Carla de Bem, responsável pelo caso, Gisele agiu de forma espontânea e não foi vítima de sequestro, extorsão ou qualquer outro crime

Gisele Heloísa Alves Silva, a empregada doméstica de 29 anos dada como desaparecida no último dia 6 de maio em Goianira, e encontrada pela polícia em Itumbiara, após cinco dias de buscas, nesse sábado (11), contou que decidiu "ir embora" e a motivação para seu sumiço foi o desespero com dívidas financeiras com a própria família, inclusive com o marido. A informação foi confirmada pela Polícia Civil nesta segunda-feira (12), durante coletiva de imprensa.
Segundo a delegada Carla de Bem, responsável pelo caso, Gisele agiu de forma espontânea e não foi vítima de sequestro, extorsão ou qualquer outro crime.
"Ela não foi obrigada a nada. Ninguém fez ela de vítima. Ninguém sequestrou. Ninguém extorquiu", enfatizou a investigadora.
A delegada explicou que Gisele estava enfrentando sérias dificuldades financeiras há meses, acumulando dívidas que a levaram a um estado de desespero. A situação era tão crítica que ela chegou a ter débitos com o próprio marido, Luan Lucas, de 38 anos, e não via condições de pagar. Sem saber o que fazer ou para onde ir, ela decidiu "sumir", fugindo de casa e deixando o estado de Goiás.
Gisele saiu de casa com uma quantia em dinheiro em espécie, que utilizou para pagar corridas por aplicativo e diárias em hotéis durante sua jornada. As investigações apontaram que, após sair de Goianira, ela embarcou em um ônibus em Aparecida de Goiânia com destino a São Paulo. Ela desceu na cidade de Guarulhos e tinha planos de seguir para Santos, no litoral paulista.
A delegada Carla de Bem revelou que Gisele não tinha a intenção de avisar a família sobre seu paradeiro.
"Ela não queria nem que nós avisássemos a família. Diz ela que estava envergonhada e sem saber que atitude tomar", contou a delegada. No entanto, após ser encontrada e ouvida pela polícia, ela acabou aceitando que os pais fossem chamados. O pai da doméstica foi buscá-la na delegacia.
Durante os depoimentos, Gisele reiterou seu desejo de não permanecer em Goiás.
A questão de Gisele ter deixado a filha do casal em casa, sob os cuidados do pai, foi abordada pela delegada. Carla de Bem esclareceu que a situação não configura abandono de incapaz, uma vez que a criança ficou com um de seus responsáveis legais. Além disso, a investigação policial não encontrou indícios de crime na fuga em si, levando a delegada a solicitar o arquivamento do inquérito policial.
Leia mais
Desaparecida há 4 dias, PM encontra diarista e descobre que ela quis “sumir de casa”
Mulher desaparece após pegar moto de aplicativo
O Desaparecimento e a Busca
O desaparecimento de Gisele foi inicialmente comunicado pelo marido, Luan Lucas, no dia 6 de maio. Ele relatou que a esposa havia saído de casa para trabalhar em Goianira, deixando a filha com ele. No caminho, Gisele teria enviado um vídeo informando que o carro que utilizava havia quebrado por falta de combustível. Ela disse que deixaria o veículo e seguiria o trajeto chamando uma moto por aplicativo.
"Ela só mandou uma mensagem para mim, dizendo: 'Amor, vou deixar o carro aqui, vou deixar a chave debaixo do para-choque […]'", contou Luan. A preocupação do marido aumentou quando ele foi buscar o carro e, ao tentar contato com Gisele, as mensagens não eram respondidas e as ligações caíam na caixa postal.
A confirmação de que algo estava errado veio quando Luan conseguiu falar com os patrões de Gisele através do Instagram, no período da tarde. Eles informaram que a empregada doméstica não havia comparecido ao trabalho, apesar de ter dito que iria arrancar um siso. "Depois disso aí começou a me preocupar", disse o marido na época.
O Encontro em Itumbiara
Gisele foi encontrada pela polícia no sábado (10), em Itumbiara, a caminho de Palmas, no Tocantins, em boas condições de saúde. A Secretaria de Segurança Pública de Goiás já havia adiantado a suspeita de que o desaparecimento teria sido voluntário.
Durante a coletiva de imprensa desta segunda-feira, o major da Polícia Militar Eduardo Abílio Borges Alves detalhou como Gisele foi localizada. Segundo ele, a doméstica estava retornando para Goiânia, ou assim parecia, em um caminhão.
"Solicitamos um bloqueio na rodovia e foi verificado caminhão por caminhão, até conseguir localizar a Gisele em um deles", explicou o major.
Gisele foi encontrada como passageira "normal" no caminhão. No momento da abordagem, foi solicitado que ela descesse do veículo e foi confirmada sua identidade como a pessoa desaparecida. O major informou que o caminhoneiro havia saído de São Paulo e que Gisele estava pegando uma carona, pois o destino final do motorista era Palmas, capital do Tocantins. Aparentemente, o plano de Gisele era chegar em Palmas com o caminhoneiro e permanecer na cidade.
Com a elucidação do caso e a confirmação de que o desaparecimento foi uma decisão pessoal motivada por dificuldades financeiras, a Polícia Civil concluiu a investigação e deve solicitar o arquivamento do inquérito.

Câmera registra momento em que Toro conduzida por adolescente bêbado atinge casal; veja
A caminhonete teria avançado o sinal vermelho e atingido a motocicleta. Com a força da batida, o casal foi arremessado e ficou gravemente ferido.

Eleição de presidente na Assembleia de Deus termina em pancadaria; assista
Briga teria começado após a derrota de um candidato apoiado pelo irmão do pastor Gedeão; caso ganhou repercussão nas redes sociais











