Diretor-técnico de hospital assedia colegas: "Dói? Ser tão linda assim?"
Uma das mulheres que denunciou os assédios foi demitida do hospital; outra teve o salário reduzido, uma vez que sua jornada de trabalho foi reduzida para 60%

Médico e diretor-técnico do Hospital Estadual de Luziânia, município em torno de Brasília (DF), é investigado por assediar moralmente e sexualmente as funcionárias do hospital. Daniel de Souza Wanderley foi demitido após denúncias das vítimas.
O caso é investigado pela Polícia Civil que acionou o Ministério Público. Segundo a corporação, vítimas, testemunhas e o médico já foram ouvidos.
As vítimas alegam que recebiam cantadas de Daniel pessoalmente e pelas redes sociais. Em uma das mensagens enviadas pelo médico ao celular de uma colega de trabalho, ele pergunta se ela é cardiologista e se podia cuidar de seu coração.
Em entrevista à TV Anhanguera, a vítima disse que o médico saía da UTI até uma sala em onde ela ficava e passava grande parte do tempo do plantão a importunando, fazendo piadinhas de cunho sexual, deixando quem estava no local constrangido.
Em outro print de conversa pelo WhatsApp, o médico pergunta a outra servidora: “Dói? Ser tão linda assim? Depois passo aí para ver sua beleza. Sua beleza me deixa sem palavras”.
As vítimas relatam que os assédios aconteciam antes mesmo do médico ser promovido a diretor-técnico da unidade. “A todo tempo ele tentou tirar a mim e as demais meninas assediadas da escala. Ele só não tinha, até então, conseguido mexer como ele queria, porque tínhamos a proteção do nosso coordenador médico”, disse uma das vítimas na entrevista.
Uma das vítimas decidiu denunciar o homem à Polícia Civil e o Instituto de Medicina, Estudos e Desenvolvimento (Imed), responsável pela administração da unidade. Uma das mulheres que denunciou os assédios foi demitida do hospital e outra teve o salário reduzido, uma vez que reduziram sua jornada de trabalho para 60%.
Segundo o Hospital Estadual de Luziânia, o ex-diretor-técnico pediu desculpas pelo comportamento e declarou que as abordagens eram em “tom de brincadeira”, sem a intenção de ofender as colegas.
Em nota enviada a emissora, a defesa do médico afirmou que não fará declarações públicas sobre as “falaciosas acusações em respeito à imagem pública das denunciantes”.
Os advogados do médico disseram que o mesmo confia na Justiça e “na ausência de qualquer irregularidade no comportamento do médico adotará as medidas judiciais cabíveis para responsabilizar propagação de fake news e acusações infundadas”.

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