Direita e esquerda disputam protagonismo político no 7 de Setembro
A efervescência das ruas reflete um momento de intensa tensão política, catalisada pela primeira semana do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)

O 7 de Setembro deste ano, 2025, que celebra o 203º aniversário da Independência do Brasil, ganha contornos de batalha política com manifestações de direita e esquerda disputando atenção em todo o país. Além do tradicional desfile cívico-militar na capital federal, que contará com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a data será marcada por diversas mobilizações políticas.
A efervescência das ruas reflete um momento de intensa tensão política, catalisada pela primeira semana do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete acusados de tentativa de golpe de Estado. Ao todo, são contabilizados 66 atos ao redor do Brasil, organizados para ocorrer durante todo o dia. Algumas dessas manifestações coincidem em horário, criando uma proximidade física e ideológica inevitável.
Os atos de direita são comandados pelo movimento Reaja Brasil — iniciativa do pastor Silas Malafaia — com respaldo do Partido Liberal (PL). Estão programados para acontecer em todos os estados e no Distrito Federal, ocupando espaços de alta visibilidade como a Avenida Paulista em São Paulo, a praia de Copacabana no Rio de Janeiro e o Farol da Barra na Bahia. A estratégia clara é de massificação por meio de alta visibilidade e presença robusta em locais estratégicos.
Por outro lado, a esquerda se articula por meio de movimentos populares como Povo Independente, Povo Soberano e o tradicional Grito dos Excluídos, sob o apoio do Partido dos Trabalhadores (PT). Estes atos também se estendem por todas as unidades da federação, com maior concentração em capitais e locais de forte tradição mobilizadora, como a Praça da Sé em São Paulo, o Parque da Redenção no Rio Grande do Sul, e o Campo Grande na Bahia.
Atos Simultâneos e Desafios Logísticos
Em Brasília, o ponto culminante da tensão política é marcado pela proximidade entre as manifestações simultâneas dos grupos de direita e esquerda. Agendadas para as 10h, as duas marchas ocorrem a apenas 1,5 km de distância uma da outra. Além disso, o tradicional desfile cívico-militar de 7 de Setembro acontece a partir das 9h na Esplanada dos Ministérios, atraindo outro público significativo.
Os atos da direita, incentivados pelo Reaja Brasil, estão marcados para o Estacionamento Ibero-Americano, em frente à Torre de TV. Em contraste, a manifestação das organizações de esquerda, sob o lema Povo Independente, Povo Soberano, será concentrada na Praça Zumbi dos Palmares, em frente ao Conic. A proximidade geográfica impõe desafios adicionais de segurança e logística para as autoridades locais.
O 7 de Setembro deste ano promete ser um marco não apenas de celebração nacional, mas também de reafirmação de identidades políticas divergentes, em um cenário de polarização crescente no Brasil.

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