Dignidade menstrual e equidade no mercado de trabalho

Embora ainda seja um campo predominantemente masculino, a presença das mulheres na Tecnologia da Informação tem crescido e se mostrado cada vez mais importante. Elas têm se destacado na área com soluções inovadoras, impactando fortemente a sociedade. A representatividade feminina nesse mercado ainda é pequena, mas aumentou 60% nos últimos 5 anos, contrariando a ideia de que as mulheres não têm aptidão para as profissões lógicas.
Um dos grandes desafios da contemporaneidade é tornar os ambientes de trabalho "masculinizados" mais adequados, justos e acolhedores para as mulheres. Ciente disso, Suely Almoas, CEO da Digix - empresa sul-mato-grossense de T.I. voltada para gestão pública -, foi pioneira no Brasil ao implantar a licença menstrual. A ideia surgiu após ler o livro A Tenda Vermelha, de Anita Diamant, que fala sobre Diná, a única filha de Jacó. A narrativa bíblica conta que, quando as mulheres estavam em seu período menstrual, eram levadas para uma tenda vermelha e cuidadas por outras. "Pensei que poderia cuidar das nossas mulheres de uma forma moderna, através de um benefício", afirma a gestora.
A Digix emprega 503 mulheres, o que representa cerca de 63% do quadro de colaboradores da empresa. Elas também representam 70% do quadro de liderança. Neste cenário, a licença foi pensada para conceder folga remunerada de até dois dias àquelas que têm seu desempenho profissional afetado por conta das dores, desconfortos e alterações de humor durante a menstruação, sem ser necessário atestado ou qualquer comprovação. A empresa calcula que o impacto financeiro desta medida será compensado pelo aumento da produtividade destas mulheres, que passam a ter mais bem-estar a partir do momento em que seus sintomas menstruais são tratados com dignidade.
Enquanto a iniciativa ainda não se tornou Lei Federal no Brasil, a Digix se destaca servindo de inspiração para que outras empresas também olhem para as necessidades específicas das trabalhadoras, em um compromisso com a equidade de gênero. Ao redor do mundo, são poucos os países que garantem legalmente alguma forma de licença menstrual, a maioria na Ásia - incluindo Japão, Taiwan, Indonésia e Coreia do Sul -, além da Zâmbia e recentemente da Espanha.
Analisar as particularidades femininas e conceder este tipo de benefício não se trata apenas de um diferencial, mas de construir ambientes de trabalho onde as pessoas possam atuar cada vez mais em pé de igualdade, onde as diferenças são acolhidas e respeitadas.

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