Delegado aponta no tribunal que única inimizade de Valério Luiz era Maurício Sampaio
Carvalho relatou ao Júri que o cartola do Atlético-GO já havia denunciado o jornalista por difamação em um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), o que demonstra animosidade entre as partes em período bem anterior ao crime.

Primeira testemunha ouvida no Tribunal do Júri do ex-presidente do Atlético-GO, Maurício Sampaio, e quatro comparsas, Urbano de Carvalho, Ademá Figueiredo, Marcus Vinícius Pereira Xavier; e Djalma da Silva, acusados pela execução do radialista Valério Luiz, nesta segunda-feira (13), em Goiânia, o delegado Hellyton Carvalho, responsável pelas investigações à época do crime, declarou que a única inimizade do jornalista era Maurício Sampaio devido às críticas “pesadas” feitas ao Atlético Goianiense.
À época do crime o clube passava por uma fase muito e, segundo o filho de Valério, Valério Luiz Filho, o pai creditava a culpa à diretoria do Atlético e não poupava críticas pesadas.
Duas semanas antes de ser executado quando saía da rádio, Valério comentou sobre a debandada dos dirigentes devido à má fase do time.
"Você pode olhar em filme de aventura, quando o barco tá enchendo de água, os ratos são os primeiros a pular fora", comentou o jornalista.
Dois dias depois desse comentário, o clube proibiu a entrada de todos os jornalistas que trabalhavam com Valério Luiz e disse ainda que ele era persona non grata. A carta foi assinada pelo presidente do clube e por Maurício Sampaio, então vice-presidente do clube e alvo de críticas de Valério.
De acordo com o delegado, o desafeto entre Sampaio e Valério não começou devido apenas às críticas que o radialista estava fazendo à época da execução, mas há cerca de dois anos antes.
Carvalho relatou ao Júri que o cartola do Atlético-GO já havia denunciado o jornalista por difamação em um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), o que demonstra animosidade entre as partes em período bem anterior ao crime.
No entanto, ainda segundo o delegado, à época das investigações, quando Sampaio foi questionado sobre a denúncia e da suposta inimizade com Valério, o ex-presidente do clube respondeu que não era inimigo do jornalista e que a denúncia foi feita representando o Atlético.
O delegado acrescentou que as investigações ainda apuraram que a vítima não tinha problemas com dívidas ou passionais, mas que as críticas que fazia ao Atlético-GO o preocupava e que a única inimizade seria Sampaio.
“A única preocupação que ele estava tendo nos dias anteriores ao homicídio seriam sobre essas críticas mais contundentes que ele teria feito à direção do Atlético Goianiense. A única inimizade que ele teria, efetiva, nesse meio, seria com o senhor Maurício Borges Sampaio. Ele [Valério] dividia essas preocupações com a família”, disse o delegado ao Júri.
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Entenda o caso
Valério Luiz tinha 49 anos, dois empregos. Era comentarista em um programa de esportes da PUC TV, e também trabalhava em uma rádio. Era polêmico e não media as palavras quando as críticas eram contra o time do coração: o Atlético-GO.
Para a polícia e o Ministério Público, Maurício Sampaio é considerado o mandante do crime.
Segundo as investigações, ele teria encomendado a morte do jornalista para dois policiais militares - que faziam informalmente a segurança dele: sargento Djalma da Silva e o cabo Ademá Figuerêdo.
O esquema também teria contado com a ajuda de uma espécie de faz tudo do dirigente, Urbano Malta, e de um informante da polícia: Marcus Vinícius Pereira Xavier.
Depois de quase um ano de investigação, eles chegaram a ser presos por 90 dias, em 2013, mas desde então aguardam o julgamento em liberdade.
Marcus Vinícius tinha um açougue, que vendia espetinhos. Segundo ele, a ação foi planejada pelo sargento Djalma da Silva - que é apontado como articulador do crime.
A tarefa de Marcus Vinícius, segundo a polícia, foi arrumar uma moto, capacete e uma camiseta para serem usados no crime. O assassino, ainda segundo a polícia, seria Ademá Figuerêdo, que no dia da execução saiu de um condomínio próximo, e seguiu até onde estava Marcus Vinícius.
Dos cinco réus, só Marcus Vinícius confessou a participação no crime. Desde que a Justiça decidiu que os acusados iriam a júri popular, as defesas recorreram em todas as instâncias pelos mais variados motivos.
Hoje, Maurício Sampaio ocupa o cargo de conselheiro do Atlético-GO. A defesa dele diz que não há provas para condená-lo. Em nota, o Atlético-GO disse que não vai se manifestar sobre o julgamento.

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