Defensoria entra na Justiça para incluir gestantes e puérperas em vacinação
Decisão ocorre após esse grupo ter sido retirado do referido plano de vacinação, no dia 11 de maio.

Defensorias Públicas, por intermédio do Grupo de Atuação Estratégica das Defensorias Públicas Estaduais e Distrital nos Tribunais Superiores (Gaets), solicitaram, na última sexta (28/05), o ingresso como Amicus Curiae (amigo da corte) na ADPF 846, perante o Supremo Tribunal Federal. A ação busca a reinclusão das gestantes e puérperas sem comorbidades no Plano Nacional de Imunização contra a Covid-19, com a utilização de doses das vacinas Coronavac ou Pfizer. Esse grupo foi retirado do referido plano em sua última versão, no dia 11 de maio de 2021.
A Defensoria Pública do Estado de Goiás (DPE-GO) é signatária da solicitação, por meio do defensor público Marco Tadeu Paiva Silva. “A consagração do direito das gestantes e puérperas no plano de imunização configurou, em última análise, uma proteção a esse grupo vulnerável, da forma mais eficaz possibilitada pela ciência. A situação é tão emergencial que a falta de acesso à vacina pode efetivamente significar na morte do cidadão ou cidadã. Não se pode, nesse contexto, conferir uma proteção legítima e correta a um grupo extremamente vulnerável, e, em seguida, retirá-la, sem fundamentação e de forma arbitrária, desconsiderando o fato de que se trata de um direito fundamental que está sendo violado”, expõe o documento.
A atuação do Gaets contou com a colaboração do Núcleo de Defesa da Mulher (Nudem) das Defensorias Estaduais e Distrital. As Defensorias Públicas vêm acompanhando essa demanda e já expuseram anteriormente a necessidade de vacinação ampla de gestantes e puérperas contra a Covid-19 diante do consenso científico atual sobre o tema, bem como dos alarmantes e crescentes dados de mortalidade materna em virtude do novo coronavírus.
No pedido, destacou-se que "o cenário no Brasil se agrava a cada dia: o Observatório Obstétrico Brasileiro Covid-19 levantou dados até 10 de maio de 2021 e encontrou 1.088 mortes maternas por Covid-19 no Brasil. Apenas nesses primeiros meses de 2021, o país contabiliza mais óbitos maternos que em todo o ano de 2020".
Diante desse contexto, a ADPF objetiva retomar a vacinação contra a Covid-19 na totalidade de gestantes e puérperas, com e sem comorbidades, com imunizantes alternativos àquele da fabricante AstraZeneca/Oxford/Fiocruz, em observância à recomendação feita pela Agência de Vigilância Sanitária, julgando-se, portanto, incompatível o ato do Ministério da Saúde previsto nas Notas Técnicas nº 627/2021-GCPNI/DEIDT/SVS/MS e 651/2021- CGPNI/DEIDT/SVS/MS, com a Constituição Federal de 1988.
A petição foi apresentada em data estabelecida como o Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher e o Dia Nacional pela Redução da Mortalidade Materna.

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