CPI dos Atos Golpistas pede indiciamento de três produtores rurais de Goiás
Relatório afirma que os goianos devem ser responsabilizados pelos crimes de associação criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado

O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Atos Golpistas do Congresso Nacional trouxe três produtores de soja de Goiás na lista de pedidos de indiciamento. Vitor Geraldo Gaiardo, Luciano Jayme Guimarães e Joel Ragagnin.
Os nomes deles constam em relatório enviado à CPI pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) como sendo membros do Movimento Brasil Verde e Amarelo (MBVA). De acordo com o texto, os produtores são supostos financiadores das mobilizações que apoiavam o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pediam intervenção militar e contestavam o resultado das eleições que elegeram o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2022.
Esses acampamentos e mobilizações resultaram no ataque à sede dos três poderes no dia 8 de janeiro deste ano, em Brasília. Relatório pede que os três sejam responsabilizados pelos crimes de associação criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.
O MBVA foi responsável pelo envio de caminhões para Brasília e pelos bloqueios de rodovias realizados logo após o resultado das eleições no ano passado. “Os integrantes do MBVA agiram com o claro propósito de questionar a lisura do processo eleitoral e apoiaram a pauta golpista de intervenção militar pelas Forças Armadas”, diz trecho do relatório.
De acordo com a Abin, os produtores, por meio do MBVA, possuíam “grande capacidade de mobilização nacional e organizaram, desde o ano de 2019, atos em Brasília com deslocamento de máquinas agrícolas, caminhões e caravanas”. O documento ressalta que o movimento estampou em caminhões a mensagem “Faça o que for preciso! Eu autorizo, Presidente!”, durante manifestação realizada no dia 15 de maio de 2021, na capital federal.
Quem são os produtores citados?
- Vitor Geraldo Gaiardo é citado no relatório como sojicultor e presidente do Sindicato Rural de Jataí, no sudoeste de goiano. Ele foi identificado como uma liderança que atuou no bloqueio de uma rodovia na cidade após o resultado das eleições de 2022, além de também ser um dos principais articuladores do MBVA.
- Luciano Jayme Guimarães é sojicultor no município de Rio Verde e ex-presidente do Sindicato Rural da cidade. No relatório, foi mencionado como um dos principais articuladores do MBVA.
- Joel Ragagnin também é sojicultor em Jataí e atua como presidente da Associação dos Produtores de Soja de Goiás (Aprosoja-GO). No relatório, foi mencionado como um dos principais articuladores do MBVA.
Indiciamentos não são automáticos
Apresentado nessa terça-feira (17) pela senadora Eliziane Gama (PSD-MA), o relatório final da CPI dos Atos Golpistas tem 1.333 páginas e foi desenvolvido ao longo de quase 5 meses. Pedido de vista transferiu a votação do documento para esta quarta-feira (18).
Segundo o documento, entre os acusados de incitar, apoiar, financiar e participar dos atos estão políticos, empresários, servidores públicos, militares e fazendeiros. Ao todo, foi solicitado o indiciamento de 61 pessoas. Entre elas, está o ex-presidente Jair Bolsonaro e parte do núcleo de governo dele, sendo cinco ex-ministros e seis ex-auxiliares.
Os pedidos, porém, não significam indiciamentos automáticos. A lista é uma sugestão e cabe a órgãos responsáveis avaliar a possibilidade de apresentar denúncias.
Para que o documento seja aprovado, ele precisará dos votos da maioria dos membros da CPI mista de deputados e senadores. Após a aprovação, o conteúdo é enviado a diversas instituições que avaliam e decidem pela apresentação de denúncias baseadas nele, como órgãos policiais, Ministério Público (MP) e Advocacia-Geral da União (AGU).
* Com informações do G1 Goiás

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