Coronel da PM e delegado da Homicídios são afastados após troca de ataques nas redes sociais
O episódio pode ter relação direta com uma investigação que apura supostos crimes praticados dentro do COD, quando Raiado era comandante.

O afastamento do coronel Édson Melo Rocha, conhecido com "Édson Raiado", e do delegado Carlos Alfama, anunciado neste domingo (19) pela Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO), ocorre após uma troca de ataques públicos entre os dois nas redes sociais. Apesar da discussão ter começado nesta semana, o episódio pode ter relação direta com uma investigação sensível que apura supostos crimes praticados dentro do Comando de Operações de Divisas (COD), quando Raiado era comandante.
A ofensiva nas redes sociais acabou gerando uma crise institucional entre as forças de segurança, culminando no afastamento de ambos — o que, na prática, retirou Alfama do caso que investiga mortes decorrentes de supostos confrontos forjados envolvendo policiais militares. Coronel Édson chegou a ser afastado do COD após as denúncias surgirem, mas voltou recentemente ao cenário público após uma promoção.
Início da briga
Um vídeo publicado na tarde desta sexta-feira (17) por Raiado, que conta com mais de cinco minutos de duração, inicia-se com Alfama reagindo a uma fala do promotor de Justiça Danni Sales, de Bela Vista de Goiás, em uma audiência que trata sobre a prisão de Jonas Alves de Sousa, de 28 anos, acusado de matar a namorada Nádia Gonçalves de Aguiar, de 47, no município da região metropolitana de Goiânia no último dia 11.
Na gravação, o promotor reclama da soltura do suspeito, que foi preso dois dias depois do feminicídio por policiais militares. Após ser detido e levado à Central de Flagrantes de Aparecida, onde prestou depoimento, Jonas foi solto por já ter passado o tempo do flagrante, que é de 24 horas, e por não haver, até então, um mandado de prisão preventiva em seu nome.
Também atuando como professor de Direito Penal e Processual Penal para concursos públicos, Alfama criticou a fala do promotor, em vídeo publicado em sua própria rede social, alegando que não era possível manter a prisão do homem por já ter cessado o tempo de flagrante. Reagindo à posição do delegado, Raiado teceu duras críticas ao delegado.
Decisão da SSP
Após o embate público entre o coronel e o delegado da Delegacia de Homicídios (DIH), a SSP-GO divulgou uma nota conjunta com a PM e a Polícia Civil, afirmando que “não coaduna com posturas individualizadas de agentes públicos” e determinando o afastamento imediato dos dois servidores. Ambos ficarão à disposição de suas corregedorias até a conclusão das apurações.
A Polícia Civil segue responsável pelo inquérito que apura as supostas execuções e a eventual formação de grupo criminoso dentro da corporação. A SSP-GO reforçou, em nota, que o episódio “não abala a integração entre as forças” e que o trabalho conjunto de combate à criminalidade será mantido.

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