Cooperativa Roma é denunciada por enganar goianos e Justiça proíbe venda de “consórcios” no estado

A partir de uma ação civil pública (ACP) proposta pelo Ministério Público de Goiás (MPGO), a Justiça concedeu liminar proibindo, de imediato, a Cooperativa Mista Roma (antiga Jockey Club São Paulo) de comercializar novas cotas de seu consórcio em todo o território goiano.
A decisão se deu a partir do que foi apurado pela 12ª Promotoria de Justiça de Goiânia junto a diversas vítimas das práticas ilegais de venda adotadas pela empresa.
Segundo a ACP, os representantes comerciais do consórcio utilizavam de propaganda falsa de financiamento para vender cotas de consórcios. De acordo com a promotora Maria Cristina de Miranda, titular da 12ª Promotoria de Justiça, pessoas lesadas pagavam uma entrada com valor bem alto, diante da promessa de liberação total do financiamento e ainda assumiam um número relevante de parcelas com valores parecidos com os de mercado.
Em um dos casos denunciados, um morador de Aparecida de Goiânia só se deu conta de que estava adquirindo um consórcio e não um financiamento quando já estava assinando os documentos. A Cooperativa Mista Roma (Consórcio Roma), no entanto, garantiu que assim que ele pagasse a entrada, no valor de mais de R$ 10 mil, ele receberia o dinheiro para aquisição da casa que pleiteava. A liberação não aconteceu, tampouco a devolução do dinheiro.
Como resposta para um pedido de cancelamento da transação, o consumidor ouviu que se o procedimento fosse feito, ele teria de aguardar até 2040 para reaver o investimento inicial.
De acordo com a promotora, a antiga Jockey Club São Paulo já havia sido condenada em uma ação civil pública ajuizada perante a 1ª Vara Federal de Marília, interior de São Paulo, por histórias semelhantes às registradas em Goiás. Lá, a Justiça entendeu que a grande quantidade de documentos provando a lesão a diversas pessoas (as quais passaram por situações semelhantes) deixaram clara a má fé da empresa, que mantinha o mesmo modo de agir.
Entendendo o perigo da demora diante do risco de novas pessoas se tornarem vítimas do golpe, a Justiça de Goiás concedeu a tutela antecipada pretendida pelo MPGO e determinou que a empresa suspenda as vendas aqui no Estado assim que for intimada da decisão.
Caso siga com a comercialização de novas cotas de consórcio pela Cooperativa Mista Roma em território goiano a empresa estará sujeita a uma multa diária de R$ 5 mil.

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