Consórcio Roma desrespeita Justiça e continua vendendo “falso” financiamento em Goiânia, acusa vítima
Clientes afirmam ter sido enganados ao adquirir produtos da empresa. Apenas dois moradores da Grande Goiânia tiveram prejuízos que superam R$ 20 mil

Elyson Luiz de Oliveira, 31 anos, que afirma ser mais uma vítima enganada pelo “Consórcio Roma”, relata prejuízo de R$ 10.800 e denuncia que a empresa, embora proibida pela Justiça, continua atuando em Goiânia e enganando clientes, com contratos fictícios de financiamento, quando, na verdade, estão fazendo consórcio.
Elyson relatou ao G5News que está há quase seis meses na luta para reaver o valor pago de um financiamento de um carro, que não foi cumprido. Elyson explica que já fez várias tentativas de contato, mas que a resposta é de que tem que esperar 15 anos para receber o dinheiro "investido".
Caso cancele o contrato, teria que arcar com as multas da rescisão e receberia "quase nada".
Entrei em contato com eles, mas não quiseram devolver meu dinheiro, me falaram que só em 2037, quando terminaria o consórcio, para reaver o valor. Que se eu cancelasse o contrato, teria várias multas e me devolveriam somente R$ 2 mil
“Entrei em contato com eles, mas não quiseram devolver meu dinheiro, me falaram que só em 2037, quando terminaria o consórcio, para reaver o valor. Que se eu cancelasse o contrato, teria várias multas e me devolveriam somente R$ 2 mil”, alegou o denunciante.
Um morador de Aparecida, que não quis se identificar, também foi vítima do "golpe" e já tinha investido R$ 10 mil quando se deu conta de que estava adquirindo um consórcio e não um financiamento.
Elyson ressalta que o “Consórcio Roma”, alvo de uma ação civil pública (ACP) proposta pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) e acolhida pela Justiça, que concedeu liminar proibindo desde de outubro deste ano de comercializar novas cotas de seu consórcio em todo o território goiano, segue atuando na Capital.
A decisão se deu a partir do que foi apurado pela 12ª Promotoria de Justiça de Goiânia junto a diversas vítimas das práticas ilegais de venda adotadas pela empresa.
O portal entrou em contato com a Cooperativa Consórcio Roma para saber o posicionamento diante dos fatos, e a empresa informou o contato dos representantes de Goiânia, mas não obtivemos retorno até o fechamento desta reportagem.
O espaço segue aberto para futuros esclarecimentos.
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Ação Civil Pública (ACP)
Segundo a ACP, os representantes comerciais do consórcio utilizavam de propaganda falsa de financiamento para vender cotas de consórcios. De acordo com a promotora Maria Cristina de Miranda, titular da 12ª Promotoria de Justiça, pessoas lesadas pagavam uma entrada com valor bem alto, diante da promessa de liberação total do financiamento e ainda assumiam um número relevante de parcelas com valores parecidos com os de mercado.
Em um dos casos denunciados, um morador de Aparecida de Goiânia só se deu conta de que estava adquirindo um consórcio e não um financiamento quando já estava assinando os documentos. A Cooperativa Mista Roma (Consórcio Roma), no entanto, garantiu que assim que ele pagasse a entrada, no valor de mais de R$ 10 mil, ele receberia o dinheiro para aquisição da casa que pleiteava. A liberação não aconteceu, tampouco a devolução do dinheiro.
Como resposta para um pedido de cancelamento da transação, o consumidor ouviu que se o procedimento fosse feito, ele teria de aguardar até 2040 para reaver o investimento inicial.
De acordo com a promotora, a empresa já havia sido condenada em uma ação civil pública ajuizada perante a 1ª Vara Federal de Marília, interior de São Paulo, por histórias semelhantes às registradas em Goiás. Lá, a Justiça entendeu que a grande quantidade de documentos provando a lesão a diversas pessoas (as quais passaram por situações semelhantes) deixaram clara a má fé da empresa, que mantinha o mesmo modo de agir.
Entendendo o perigo da demora diante do risco de novas pessoas se tornarem vítimas do golpe, a Justiça de Goiás concedeu a tutela antecipada pretendida pelo MPGO e determinou que a empresa suspenda as vendas aqui no Estado assim que for intimada da decisão.
Caso siga com a comercialização de novas cotas de consórcio pela Cooperativa Mista Roma em território goiano a empresa estará sujeita a uma multa diária de R$ 5 mil.

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