Conflito Rússia e Ucrânia já tem impactado o custo de produção de empresas goianas
Análise dos impactos da guerra no Leste-Europeu nos custos de produção e na balança comercial brasileira e, especificamente goiana foi o assunto na primeira reunião do ano do Conselho Temático de Comércio Exterior (CTComex) da Fieg

O impacto do conflito entre Rússia e Ucrânia nos custos de produção e na balança comercial brasileira e, especificamente goiana, foi o assunto predominante na primeira reunião do ano do Conselho Temático de Comércio Exterior (CTComex) da Fieg, na última quinta-feira (24).
Durante a discussão foram ressaltadas as incertezas que a guerra gera num cenário mundial, o que impacta no tráfego de mercadorias. Outro ponto destacado é a crise energética que a China enfrenta neste momento, que pode ser agravado com o conflito Rússia -Ucrânia.
O problema afeta diretamente o setor produtivo chinês, que, consequentemente atrasa com a entrega de insumos e mercadorias às indústrias goianas, que afeta diretamente o custo de produção das empresas.
O encontro, realizado em ambiente on-line, também oficializou a posse do empresário William O'Dwyer na liderança do conselho no lugar de Emílio Bittar, que se licenciou do cargo por causa de compromissos empresariais.
"A guerra e a política trazem incertezas ao mundo e ao Brasil. De imediato, já percebemos um aumento significativo no petróleo. A Rússia é grande produtora de gás e petróleo, o que afeta a segurança energética de toda a Europa", avaliou o diretor de operações do Grupo Porto Seco, Everaldo Fiatkoski, que apresentou análise sobre a corrente de comércio exterior durante o período da pandemia e as perspectivas do setor diante da atual conjuntura.
"Percebemos uma forte recuperação econômica mundial após cinco meses das restrições sanitárias impostas, diferentemente do que ocorreu em outros momentos de recessão. Mesmo no Brasil, apesar de ainda não termos números consistentes de crescimento, percebemos essa retomada. O desafio agora é avaliar como a balança comercial brasileira vai se comportar diante de um movimento de desvalorização do câmbio. É fundamental assegurar competitividade para quem produz no Brasil. Se o dólar continuar caindo, teremos uma grande mudança na matriz do comércio internacional do País", explicou Fiatkoski.
O coordenador técnico da Fieg, Marcelo Ladvocat, acompanhou as discussões e pontuou que, considerando o conflito no Leste Europeu, o cenário internacional é totalmente incerto quanto ao tráfego de mercadorias.
"Definitivamente, estamos num momento de parada total! A questão é bastante incerta, mas não creio que seja de longo prazo e com envolvimento de outras nações no conflito, aprofundando a crise entre Rússia e Ucrânia. De qualquer forma, o tráfego aéreo já é impactado fortemente, o que desdobra no câmbio", analisou o economista.
A conselheira Solange da Mata Neves, da empresa LAXL Trade, observou que a China também passa por crise energética, com racionamento do insumo para o setor produtivo e população, com desdobramentos já percebidos para as indústrias goianas, inclusive com atraso nas entregas de mercadorias e insumos, o que pode ser aprofundado com o conflito na Europa, sobretudo pela Rússia ter expressivas reservas energéticas.
Outro ponto levantado na reunião ordinária do CTComex diz respeito às dificuldades que empresas importadoras estão enfrentando com a falta de uniformidade de tratamento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) nas análises de cargas. O problema, apontado pela conselheira Ludmila Campos, tem impactado 100% dos processos de importação, gerando atrasos e prejuízos para o setor produtivo.
"Precisamos da Federação das Indústrias para interceder por uma solução junto ao Mapa. Já tivemos reuniões de forma isolada, mas sem sucesso. O próprio escritório do Mapa em Goiás está de mãos atadas. Precisamos de uma articulação em Brasília para solução do problema", sustentou a conselheira.
O diretor do Grupo Porto Seco Everaldo Fiatkoski reiterou as dificuldades e disse que o problema é nacional.
"A falta de pessoal prejudica ainda mais o Mapa. Todas as regiões de portos secos e marítimos estão sendo prejudicados pelas intervenções do ministério, com atrasos nas inspeções, causando prejuízos com armazenagem".
Diante dos acontecimentos, foi deliberada ação da Fieg para buscar soluções para o impasse e minimizar os prejuízos para as indústrias.

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