Comurg vai processar vereador e deputado por invasão e coação
Companhia afirma que parlamentares forçaram entrada em área interditada e coagiram vigilantes.

A Companhia de Urbanização de Goiânia informou que vai adotar medidas judiciais e administrativas após a nova entrada de parlamentares na antiga Estação de Transbordo, na GO-020, em Goiânia. Segundo a companhia, serão apurados possíveis casos de coação a servidores, uso indevido de imagem e utilização de estrutura pública durante a ação registrada na manhã de terça-feira (14).
Em nota, a empresa classificou a entrada como “invasão” e afirmou que o deputado estadual Clécio Alves (PSDB) e o vereador Igor Franco (MDB) utilizaram estrutura da Assembleia Legislativa de Goiás, incluindo Polícia Legislativa e equipe da TV Alego, para forçar acesso à área, interditada desde fevereiro de 2024 por órgãos ambientais.
De acordo com a Comurg, ao tomar conhecimento da presença dos parlamentares, equipes internas foram mobilizadas para acompanhar a visita e prestar esclarecimentos. A companhia relata que solicitou um prazo de 20 minutos para organização, mas afirma que, diante da impossibilidade de atendimento imediato, houve nova tentativa de acesso sem autorização.
Ainda segundo a empresa, o acesso à área embargada foi forçado com apoio da Polícia Legislativa, e servidores responsáveis pela vigilância teriam sido coagidos. A Comurg também afirma que o ambiente encontrado pelas equipes técnicas foi de “hostilidade” e “constrangimento”, o que teria dificultado qualquer procedimento formal.
A companhia sustenta que a ação não seguiu critérios técnicos de fiscalização, como coleta de dados e análises no local, e aponta que houve transmissões ao vivo em redes sociais, especialmente no Instagram.
A área, segundo a empresa, está em processo de encerramento e permanece interditada por órgãos ambientais, como a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e a Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma). Os veículos presentes no local são classificados como inservíveis, incluindo caminhões da própria companhia e outros da administração municipal, muitos com embargos judiciais e destinados a descarte.
Entenda o caso
O episódio ocorre após uma primeira entrada registrada na sexta-feira (10), quando Clécio Alves, Igor Franco e o influenciador Marcos Vinícius Pereira, conhecido como Índio Injustiçado, acessaram a mesma área sem autorização formal.
Os parlamentares afirmaram que a ação tem caráter de fiscalização e defendem que o acesso a estruturas públicas está amparado por prerrogativas institucionais. Igor Franco declarou que impedir a atuação parlamentar em vistoria pode configurar irregularidade e relatou ter encontrado veículos em condições de uso, mas sem operação.
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O caso também foi citado pelo prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB), que afirmou que os veículos já estavam fora de operação antes do início de sua gestão e atribuiu a situação a administrações anteriores.

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